Gás natural é alternativa

10/05/2007

Gás natural é alternativa

O petróleo é atualmente uma forma de energia bastante questionada, principalmente quando transformado em combustível. A tendência de crise relacionada aos combustíveis fósseis não-renováveis aponta a destinação do petróleo para outros fins, como a química fina.


Ainda que a tendência de crise destine o petróleo para ser transformado em produtos menos poluentes, ele ainda é a maior fonte de energia utilizada no Planeta. O gás natural tende a ser um dos combustíveis substitutos dos dois derivados do petróleo, a gasolina e o óleo diesel. O gás apresenta vantagens econômicas e ambientais em relação a outras fontes de energia. Os proprietários dos carros movidos a Gás Natural Veicular (GNV) economizam mais de 50% do valor em relação ao gasto com a gasolina. O gás natural utilizado para cozinhar promove uma economia de 35% no preço quando comparado com o dos botijões.


O gás natural possui uma queima mais limpa que os demais combustíveis, podendo ser usado na indústria em geral, substituindo combustíveis mais poluentes, como lenha e carvão, além de sua utilização domiciliar e veicular. Na indústria, o gás é utilizado como matériaprima em vários setores, como, por exemplo, os setores químico, petroquímico, metalúrgico, plástico, cerâmico, farmacêutico e têxtil.


Segundo a Agência Internacional de Energia, a participação do gás natural no consumo mundial de energia é atualmente da ordem de 16,3%, sendo responsável por cerca de 18,3% de toda a eletricidade gerada no mundo. No Brasil, a utilização do gás natural ocorreu a partir de 1942, com a descoberta dos campus de Aratu e Itaparica, na Bahia. Em 1962 iniciou-se a instalação da planta de gás natural em Catu, para obtenção do líquido de gás natural, e uma outra unidade na Refinaria de Mataripe, com a mesma finalidade.


Em 1975, caracterizou-se pela consolidação do Pólo Petroquímico de Camaçari, na Bahia, e pela descoberta de jazidas na plataforma continental de Sergipe. As reservas brasileiras de gás natural triplicaram nos últimos dez anos, devido às descobertas decorrentes do primeiro "choque do petróleo", em 1973. Atualmente tem-se descoberto gás associado ao petróleo nos estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Ceará e Espírito Santo, além de minas de gás natural na região do Rio Juruá, no Amazonas.


O Gasoduto Brasil-Bolívia, também conhecido como Gasbol, é uma via de transporte de gás natural entre a Bolívia e o Brasil com 3.150 quilômetros de extensão, sendo 2.593 em território brasileiro e 557 em território boliviano. Começou a ser construído em 1997, iniciando sua operação em 1999. Estima-se que estará plenamente operativo em 2010, com o objetivo de que o gás natural chegue a 15% de todo o consumo energético brasileiro.
O gasoduto tem seu início na cidade boliviana de Santa Cruz de la Sierra e seu fim na cidade gaúcha de Canoas, atravessando também os estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, passando por cerca 4 mil propriedades em 135 municípios.


Em São Paulo, o traçado acompanha o Rio Tietê, chegando a Campinas, onde se encontram as indústrias que, em 1999, foram pioneiras na utilização do gás natural boliviano. O trajeto é estratégico, pois passa por uma área responsá vel por 71% do consumo energético brasileiro, 82% da produção industrial do país e 75% do PIB. Recentemente Brasil e Bolívia envolveram-se numa polêmica referente à transferência do con trole acionário das duas refinarias da Petrobras para a Bolívia, a assinatura de novos contratos de exploração e o reajuste do preço do gás natural.


Na Bahia, o uso de gás na indústria é pioneiro, iniciado na década dos anos 50, quando os primeiros poços foram abertos na bacia do Recôncavo. Para aproveitar o gás, foram criados a Usina Siderúrgica da Bahia, atual Siderúrgica Gerdau, que o utiliza para reduzir minério de ferro, e o Conjunto Petroquímico da Bahia, hoje uma das fábricas de amônia e uréia da Petrobras.

Meio século depois, a participação do gás na matriz industrial da Bahia continua a mais elevada entre os estados, apesar da redução de 38% para 33%, causada pela queda de produção na bacia do Recôncavo, entre os meses de dezembro de 2003 e 2005. Nesse tempo, a produção caiu de 5,5 mi lhões de m³/dia para 4,7 milhões, saídos de 1993 poços – 293 produtores apenas de gás e o restante de óleo e gás associados. Alguns poços, que produzem há mais de 50 anos, estão sendo raspados mediante injeções de água, CO2 e outros gases que restauram a pressão para forçar a saída do óleo residual.


De acordo com o coordenador do grupo de biodiesel da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia (UFBa), Ednildo Andrade Torres, o estado já conta com pesquisas avançadas sobre o uso do gás natural. “Nós já traba lhamos no assunto a mais de 20 anos e hoje desenvolvemos um trabalho de pesquisa que conta com mais de 60 participantes”, afirma, destacando que a universidade conta hoje com um laboratório de ponta, considerado o melhor do Norte/Nordeste.


Alguns dos principais estabelecimentos comerciais do estado também estão utilizando o gás natural. A rede de supermercados Hiper Bompreço, desde janeiro, passou a utilizar o combustível natural. O vo lume de consumo contratado é de 300 metros cúbicos por dia. O setor comercial é, depois do industrial, o segmento que mais consome gás natural. Entre as vantagens estão a melhoria do rendimento dos equipamentos, a praticidade do uso, o fornecimento contínuo e maior segurança devido à propriedade de ser mais leve que o ar, o que lhe permite escapar para a atmosfera em caso de vazamentos.