A importância das tecnologias limpas

10/05/2007

A importância das tecnologias limpas

Desde a década de 50 que é possível verificar mudanças significativas no gerenciamento de questões ambientais por parte da indústria. Se há cerca de meio século não havia tanta preocupação com o destino dos resíduos, atualmente o discurso mudou, de tal forma que, antes de se pensar no que fazer com eles, coloca-se como meta o que fazer para evitar que os resíduos sejam gerados.

O conceito de Tecnologia Limpa se baseia na aplicação de determinadas técnicas com o objetivo de otimizar o uso da água, da energia e das matérias-primas, através da redução, da reciclagem ou mesmo da eliminação dos resíduos.

Ao contrário da posição reativa dominante do passado, quando se acreditava que o cuidado com as questões ambientais implicava custos imprevistos e se tentava atuar sobre emissões tóxicas ou poluentes quando o estrago já havia sido feito, a postura nos últimos dez anos tem sido de prevenção. Além da minimização do impacto ambiental, as Tecnologias Limpas podem contribuir para o aumento da produtividade e a melhoria da imagem da empresa, da saúde e da segurança no trabalho.

Embora haja grande preocupação com as questões ambientais no setor industrial, existem iniciativas que a médio e longo prazos terão impacto no cotidiano das populações, como o uso do hidrogênio como combustível.

Em 2005, o Laboratório de Hidrogênio do Instituto de Física da Unicamp concluiu o protótipo do que seria um carro de passeio ecologicamente ideal, alimentado pelo hidrogênio. As atenções da pesquisa no momento estão voltadas para o desenvolvimento de ônibus movidos a hidrogênio, o que tem sido feito em parceria com a Usina de Itaipu.

De acordo com um dos pesquisadores do laboratório, Paulo Palhavam Ferreira, as vantagens do uso do hidrogênio são muitas, sendo a primeira delas a variedade de formas.

"O hidrogênio pode ser produzido localmente, com o que se tem à mão, desde a biomassa até a água ou a eletricidade gerada pelo vento. Outra vantagem é que a sua queima só produz vapor d'água. Sendo assim, quando produzido a partir de fontes nãopoluentes, o hidrogênio poderia reduzir em até 100% a emissão de resíduos", afirma.

O pesquisador aponta mais um ponto positivo, que é a eficiência: "Um combustível como a gasolina, por exemplo, tem eficiência muito baixa, e com isso muita energia é jogada fora. Do consumo total de gasolina de um carro, apenas 20% são utilizados, o restante se perde. Com o hidrogênio, esse grau de eficiência passa para 45%." Os benefícios saltam aos olhos, mas mesmo que já exista produção em escala pré-comercial por algumas fábricas de automóveis, os veículos movidos a hidrogênio não devem ser vistos nas ruas brasileiras em menos de 15 ou 20 anos, segundo Paulo. Nos Estados Unidos, já existem alguns carros a hidrogênio circulando, e começa a se formar estrutura para abastecimento, de forma que se acredita que até 2010 já exista uma frota considerável.

No Brasil, o protótipo do ônibus, que está sendo desenvolvido na Unicamp, deverá estar pronto em dois anos, mas depois ainda será necessário verificar o interesse em comercializar a tecnologia.

Estuda-se também a forma como o hidrogênio chegaria ao consumidor final. Segundo Paulo Palhavam, as alternativas mais viáveis seriam a construção de gasodutos ou a produção do hidrogênio nos próprios postos, a partir do álcool.

Já a partir do ano que vem, cinco ônibus movidos a hidrogênio serão colocados em operação em caráter experimental, em São Paulo. A iniciativa é de um consórcio de empresas transnacionais, em parceria com a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) e com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). A tecnologia está sendo desenvolvida no Brasil com o objetivo de conseguir se montar um ônibus com as características brasileiras em uma plataforma de tração baseada no hidrogênio e testar a durabilidade das células a combustível.

Mas o diretor-presidente da ABVE, Antônio Nunes, alerta para o fato de que esta ainda não é uma alternativa comercialmente viável: "A economia do hidrogênio enfrenta dificuldades, como a produção a partir de fonte limpa e a rede de distribuição, além do empecilho financeiro.

Um ônibus movido a hidrogênio custa entre US$ 800 mil e 1 milhão", afirma. Na indústria, o uso do hidrogênio como combustível já está em fase de testes, com destaque para as pesquisas feitas na Alemanha, no Japão e na Islândia.