Produtores do oeste baiano de olho na indústria do etanol

10/05/2007

Produtores do oeste baiano de olho na indústria do etanol

Conhecido como um dos maiores produtores de soja do Brasil, com médias anuais de 2,4 milhões de toneladas, o oeste baiano deve se transformar nos próximos anos num dos grandes pólos alcooleiros do País e se integrar ao programa nacional do etanol com força total.

Estudos realizados na região identificaram que 20% da área total agricultável de 1,6 milhão de hectares, ou seja 320 mil hectares, tem potencialidade para o plantio de cana-de-açúcar. Foi o que revelou ontem, o diretor da Associação dos Agricultores Irrigantes da Bahia (Aiba) Humberto Santa Cruz, durante o lançamento, em Salvador, da Feira Internacional da Tecnologia Agrícola em Ação (Agrishow) que será realizada no município de Luís Eduardo Magalhães entre os dias 22 e 26 de maio.

Há um ano e meio, a Aiba, que congrega 1.150 produtores rurais, patrocina pesquisa para avaliar a viabilidade da cultura de cana na região e tem obtido excelentes resultados. “Existe uma conjugação de fatores como a incidência solar, umidade e solo que tornam as terras dos municípios do oeste propícias para a lavoura da cana”, disse, explicando que os plantios experimentais mostraram que a produtividade por hectare é bem superior à média nacional.

Foram colhidas 120 toneladas por hectare, enquanto em outras regiões do País se obtém 70 toneladas. Já existem ruralistas com áreas plantadas de 120 hectares o que para Santa Cruz é uma prova da adesão dos agricultores da região à cultura.

“Não se trata de substituição das lavouras tradicionais da soja, do algodão, do milho e do café, a cana será uma alternativa complementar num primeiro momento”, disse, informando que grandes investidores dos Estados Unidos e Austrália já visitaram a região interessados em se instalar no oeste baiano.

O governo deu mostras que pretende apoiar o novo empreendimento. A estação da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) em Itaparica está pesquisando espécies de cana mais produtivas e resistentes às pragas, mas os agricultores querem muito mais: que saia do papel o projeto da ferrovia Luís Eduardo Magalhães/Brumado (que seria interligada à Linha da Centro Atlântica até Salvador) fundamental para o escoamento do etanol. O secretário da Agricultura da Bahia, Geraldo Simões, lembrou que o governo já destinou R$ 22 milhões para o desenvolvimento do projeto. “O governador só fala nisso”, revelou. A obra em si, pode ser financiada através de uma Parceria Pública Privada (PPP).

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