Estado discute impacto
de reserva extrativista
A iniciativa deve potencializar o ecoturismo e o desenvolvimento sustentável da região
Buscar um consenso que permita a atividade econômica com geração de emprego e renda e ao mesmo tempo garanta a preservação do meio ambiente. Este foi o principal objetivo da visita do secretário da Agricultura, Geraldo Simões, a Canavieiras, no sul da Bahia. No município, ele se encontrou com produtores de camarão em cativeiro e trabalhadores de 14 fazendas de carcinicultura, pescadores, ambientalistas e empresários do setor hoteleiro.
A meta foi debater o impacto da implantação de uma reserva extrativista na cidade. A iniciativa pode afetar o pólo de carcinicultura e a instalação de novos hotéis, já que existem restrições para empreendimentos num raio de 10 quilômetros no entorno da reserva, que possui 100 mil hectares.
Os empresários alegaram ter investido R$ 44 milhões em um projeto de carcinicultura, licenciado pelo Centro de Recursos Ambientais (CRA) e que hoje gera 400 empregos diretos e 800 indiretos, com uma produção mensal de 200 toneladas de camarão marinho cinza. Toda a produção é comercializada na Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
A previsão é de que os investimentos cheguem a R$ 130 milhões até 2010. Os empresários alegam que, além de não provocar agressões ao meio ambiente, a atividade atrai outros empreendimentos, como frigoríficos e fábricas de ração. O secretário visitou duas fazendas e conheceu a estrutura da produção de camarões em cativeiro.
Na reunião com pescadores, catadores e ambientalistas, Simões ouviu apelos no sentido de que a estrutura da reserva extrativista deve ser mantida para garantir a pesca artesanal, a produção de caranguejos e a preservação dos manguezais. Segundo eles, a reserva vai potencializar atividades como o ecoturismo e o desenvolvimento sustentável, compensando eventuais perdas com outras atividades econômicas.
Simões disse que pretende estabelecer uma interlocução com todos os segmentos, de maneira que o desenvolvimento de Canavieiras não seja comprometido e ao mesmo tempo a natureza seja preservada.
Para o secretário, atividades como a carcinicultura, a produção de dendê e seringa, o turismo e a modernização do setor pesqueiro são fundamentais para que o sul da Bahia efetive um processo de diversificação que reduza a dependência do cacau.
Equacionamento das dívidas
Simões citou o Plano de Aceleração do Crescimento e Diversificação do Agronegócio da Região Cacaueira da Bahia, já aprovado pelo Ministério da Agricultura. O plano prevê medidas como o equacionamento das dívidas dos produtores de cacau, apoio à agroindústria, incentivo à agricultura familiar, diversificação de cultivos, modernização da produção, obras de infra-estrutura, como estradas, porto, aeroporto e ferrovia, e ampliação do setor turístico.
O PAC do sul da Bahia terá ações conjuntas entre os governos federal e estadual. O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, e Wagner vão assinar um protocolo de intenções com a adoção de ações a curto e médio prazos, visando a retomada do desenvolvimento regional.
Envolvimento da Uesc
Simões propôs o envolvimento da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) nos estudos de impacto ambiental do cultivo de camarão em cativeiro e na implantação de novos hotéis.
"A Uesc possui pesquisadores e técnicos que podem contribuir para que se encontrem alternativas viáveis para que os danos ambientais sejam os menores possíveis e que a economia de Canavieiras não seja afetada", explicou o secretário.
A coordenadora da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR) no sul da Bahia, Alda Sobral, acompanhou o secretário da Agricultura e afirmou que "devemos ser parceiros, atuando com responsabilidade em benefício da população".
Ela destacou que o pólo de carcinicultura é importante para a cidade, assim como a sobrevivência dos pescadores e catadores. "Com respeito à legislação ambiental, todos têm o direito de trabalhar e produzir", disse.
Simões também recebeu de lideranças comunitárias um documento para ser entregue ao governador Jaques Wagner, solicitando obras estruturantes e investimentos que acelerem o crescimento da cidade.
"A descentralização da atividade econômica, com a criação de pólos regionais, é uma das principais propostas do Governo do Estado e contempla o sul da Bahia", afirmou o secretário.