Programa Água Doce será retomado no semi-árido
Dez comunidades mais carentes do sertão vão ter produto de boa qualidade e se livrar dos carros-pipa
O Núcleo Estadual do Programa Água Doce, da Secretaria de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, está sendo formado pela primeira vez na Bahia para reativar o programa no estado e definir as ações que o grupo executivo, que já está sendo reestruturado na atual gestão do governo estadual, irá realizar.
Quem vai assumir a coordenação estadual é a engenheira florestal Anapaula Souza Dias, coordenadora técnica da Divisão de Desenvolvimento Sustentável da Superintendência de Recursos Hídricos (SRH).
"O objetivo do programa é levar água potável às 10 comunidades mais carentes do semi-árido baiano que não têm acesso a nenhuma água de boa qualidade, além de tirar a população da dependência dos carros-pipa", explicou o diretor de Ação Regional da SRH, Leib Carteado, acrescentando que como exigência do MMA o gestor do programa em cada estado passa a ser o órgão de recursos hídricos, que na Bahia é a SRH.
Na semana passada, representantes do Água Doce do governo federal fizeram uma apresentação geral do programa. Participaram membros da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), Centro de Recursos Ambientais (CRA), Companhia de Engenharia Rural da Bahia (Cerb), Bahia Pesca, Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf), Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs), Cáritas, União dos Municípios da Bahia (UPB), Núcleo de Meio Ambiente da Universidade do Estado da Bahia (Numa/Uneb), Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco e Comitê da Bacia Hidrográfica do Salitre. Cada órgão indicou uma pessoa para compor o grupo executivo, que irá retomar os trabalhos.
Unidades demonstrativas
No encontro, ficou definida a recuperação de 10 dessalinizadores (equipamentos que transformam a água salina e salobra oriunda de poços profundos em água potável), que já estão instalados em regiões do semi-árido, além de serem implantadas duas unidades demonstrativas de um novo modelo de gestão em locais ainda a serem definidos no semi-árido.
As unidades demonstrativas são equipamentos que permitem o aproveitamento do concentrado de sais retirado da água salina ou salobra em tanques de criação de tilápia e como matéria orgânica para irrigar atriplex (planta que absorve sal) para a produção de feno que alimentará ovinos e caprinos.
Dessa forma, além de ser uma saída ambiental para o rejeito do dessalinizador, permitirá alimento e uma fonte de renda para as comunidades carentes. A renda contribuirá também para a manutenção dos equipamentos
Gestão dos dessalinizadores
Pela primeira vez, as comunidades beneficiadas irão participar da gestão dos dessalinizadores, já que serão as famílias que irão decidir a forma de funcionamento do equipamento, além de serem capacitadas a operá-los.
Serão feitas várias reuniões de mobilização social nas comunidades para que sejam estabelecidos acordos entre a coordenação do programa e as prefeituras. As comunidades irão gerir o processo, fazer pequenos reparos, arrecadar recursos para a contratação de um técnico para dar manutenção e definir o volume de água, o prazo e os beneficiários do abastecimento.
Em uma próxima etapa, o programa nacional visa implantar 1,5 mil dessalinizadores em todo o semi-árido nordestino. Os coordenadores da Agência Nacional de Águas (ANA) se reúnem na próxima terça-feira em Salvador para dar prosseguimento às ações do programa no estado.