Nuvem de gafanhotos atinge ruas de Itapetinga

18/05/2007

Nuvem de gafanhotos atinge ruas de Itapetinga

Uma nuvem de gafanhotos e grilos invadiu ontem o escritório regional do Ministério Público Estadual em Itapetinga (a 560 km de Salvador na região sudoeste do Estado), deixando espantados os funcionários, promotores e usuários. A vizinhança também recebeu a visita inesperada e ficou apreensiva. As paredes, o chão e salas foram marcados pelo cinza e verde dos insetos.

A cozinha do MP também ficou infestada. O primeiro a notar a “invasão” foi o segurança Joílson Lima dos Santos, que chegou ao local às 7 horas. Assustado com a quantidade de insetos, Santos comparou a situação a uma praga. "Parece uma epidemia este ataque de ’grilos’ e ’esperanças’. Qual a causa ainda não sabemos”, relatou o segurança, apontando para o amontoado nas paredes internas e externas.

A promotora de Justiça Virgínia Alcântara Alves Silva disse que a área afetada fica próxima do Rio Catolé e que toda a região próxima foi atingida. O Ministério Público Estadual informa que a situação está sob controle. “Eles atacaram essa região. Só mesmo um especialista para responder o motivo. Para mim, parece uma praga, um desequilíbrio ecológico que proporciona essa infestação”, salientou a promotora.

O biólogo Murilo Scaldaferri informou que diversos fatores podem ter causado a situação, desde a destruição do habitat desses insetos, como queimadas em fazendas próximas por exemplo ou temperatura elevada nas últimas semanas.

“Para sabermos mais seria necessária uma análise da espécie, variação da temperatura da região e possíveis mudanças no seu habitat”, resumiu o biólogo.

O mesmo fenômeno também foi verificado na Escola Cooedita, situada nas proximidades do Parque de Exposições Juvino Oliveira, também em Itapetinga, proximidades do Rio Catolé.

MORCEGOS – Em São Sebastião do Passé (a 70 km de Salvador), técnicos da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) realizam buscas na zona rural do distrito de Maracangalha, visando a captura de morcegos hematófagos. Naquela área foram identificados focos de raiva dos herbívoros, segundo informações do órgão. O local é considerado maior abrigo de morcegos hematófagos encontrado nos últimos dois anos.

A ação em Maracangalha faz parte de um conjunto de medidas do Programa Nacional de Controle da Raiva dos Herbívoros, que visa o controle da zoonose (doenças transmissíveis ao homem) no Estado.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), morrem por ano cerca de 30 mil pessoas vítimas da raiva.

“A raiva é uma zoonose de alto risco, podendo ser transmitida para o homem pela manipulação da saliva de animais doentes ou material contaminado, portanto é papel da Adab controlá-la mantendoa a distância dos rebanhos e da população”, afirma o coordenador estadual do programa da raiva dos herbívoros, José Néder.

Após a captura, é passada pasta vapiricida no dorso dos morcegos que, ao serem soltos e retornarem para o abrigo, entram em contato com outros, multiplicando o efeito do produto. “Eles têm o hábito de se lamber e ficar bem junto um do outro. Cada morcego com pasta entra em contato, em média, com outros 20”, assinala Néder.

Na Bahia, a Adab cadastra e monitora os locais que servem de abrigos para morcegos hematófagos, atua em focos da doença, e orienta população rural.

JUSCELINO SOUZA