Stephanes diz a alemães que etanol terá certificação socioambiental
O Brasil pretende instituir a certificação socioambiental para o etanol num prazo de três a quatro anos, informou hoje o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, a um grupo de parlamentares da Baviera, na Alemanha, que veio conhecer a cadeia produtiva sucroalcooleira. No encontro, ele também revelou que a meta do País para os próximos 10 anos é aumentar a área plantada de cana-de-açúcar destinada à produção de álcool combustível de 3 milhões de hectares para 9 milhões de hectares.
"Temos condições de conduzir esse processo (de expansão da área de cultivo de cana) respeitando as questões "ambientais e sociais além de produzir um produto de "qualidade disse o ministro. A adoção da certificação "socioambiental, acrescentou é; uma das medidas a serem "adotadas pelo Governo Federal para atestar ao mercado "consumidor, interno e externo, que o álcool combustível foi "processado a partir de cana procedente de canaviais onde os "proprietários obedecem as normas ambientais e cumprem a "legislação trabalhista.
Agropecuária brasileira, destacou Stephanes, ocupa hoje cerca de 300 milhões de hectares. Do total, quase 180 milhões são destinados a pastagens, onde há ao redor de 40 milhões de hectares degradados. "Vamos recuperar as áreas improdutivas e nelas expandiremos o cultivo de cana." O ministro lembrou que atualmente as lavouras da cultura totalizam 6 milhões de hectares. "Só metade disso é usada para obtenção de etanol, ou seja, apenas 1% de toda área agrícola e pecuária do País." O restante atende a indústria de açúcar, cachaça etc.
Na América Central e na África, que têm condições climáticas semelhantes às do Brasil. "Queremos que o plantio de cana também cresça nessas regiões. É preciso evitar que o mercado fique dependente de um ou dois fornecedores." O desenvolvimento da cultura em outros países, enfatizou, dará mais segurança às nações interessas em consumir etanol, uma energia limpa. com o Japão um acordo para fornecimento de álcool combustível.
"No futuro, provavelmente a União Européia se interesse em importar o nosso etanol." Ao mesmo tempo, Stephanes afirmou que não entende por que os Estados Unidos não cobram taxas das importações de petróleo ? matriz energética altamente poluente-, mas fixaram tributos elevadíssimos para entrada do etanol brasileiro naquele mercado. "Esperamos que isso não se repita em outros países."
A delegação de parlamentares da Baviera informou que a Alemanha está interessada em conhecer melhor a cadeia produtiva de etanol do Brasil e as tecnologias usadas na industrialização do produto. Além de Brasília, o grupo de deputados alemães visitou plantações de cana e usinas na região de Ribeirão Preto (SP), um dos principais pólos nacionais do setor sucroalcooleiro.