Dólar fraco segura a expansão do agronegócio

25/05/2007

Dólar fraco segura a expansão do agronegócio

A economia do oeste baiano, que tem por base commodities internacionais, como a soja, o milho, o algodão e o café, já começa a sentir os efeitos da queda do dólar, acentuada nos últimos dias. O setor produtivo e os revendedores de máquinas e implementos, prevêem uma estagnação no crescimento do setor, caso o governo não sinalize com uma política de redução de carga tributária e em infraestrutura logística.

“O impacto é tremendo”, afirma o presidente da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia, Humberto Santa Cruz. Não apenas pela queda do dólar, mas também pela alta dos insumos como fertilizantes, que subiram, em média 40%, apesar da maioria deles estar atrelada ao dólar. “É inacreditável que o dólar esteja caindo e os preços dos fertilizantes, subindo. Mas isso ocorre em decorrência do aumento da demanda mundial pelo produto”, diz, acrescentando que insumos não atrelados ao dólar também estão subindo.

Ele exemplifica dizendo que em 2001 o dólar custava R$ 2,08, o salário mínimo era de R$ 180 e o litro de óleo diesel R$ 0,80. “Seis anos depois, em abril deste ano, o dólar valia R$ 2,04, o salário mínimo é de R$ 380 e o litro do diesel R$ 1,80. Aí se tem uma idéia da gravidade da situação do agronegócio, cujos preços dos produtos, acompanham a queda do dólar”, enfatiza.

Esse conjunto de fatores elevou os custos médios de produção, que eram de 25 sacas de soja por hectare, e agora somam 45 sacas por hectare. Como a produtividade média desta safra é de 45 sacas de soja por hectare, os produtores, em sua maioria, estão apenas tirando os custos da produção.

Na safra 2006/2007, o cerrado baiano produziu 4.670.460 toneladas de grãos. A soja, principal cultura, produziu 2.295.000 toneladas.

“A expectativa para esta safra era que seria uma fase de capitalização. Porém, em função do câmbio, o produtor está no limite de sobrevivência, já que vemde duas safras difíceis”, diz o consultor de agronegócios, Ivanir Maia.

CRÉDITO – Para ele, ainda é cedo para prever se haverá redução de área para a próxima safra, a exemplo do que é cogitado em outros Estados, como o Mato Grosso. “É certo que o produtor vai ter problemas de crédito, porque nesta safra, como nas anteriores, ele comprou os insumos com o dólar mais alto e vendeu a produção por preços mais baixos, o que influencia diretamente na sua capacidade de cumprir os compromissos e levou ao acúmulo de dívidas”, diz Maia.

Vice-presidente da Associação de Revendedores de Máquinas e Implementos do Oeste da Bahia, Osmar Martins, ressalta que os negócios estão estagnados em função de que muitos produtores têm contratos pré-fixados de soja em dólar com vencimento em 30 de maio. “Cada momento que o dólar cai, ele faz a relação das perdas, pois quando fixou o contrato, um dólar valia R$$ 2,20”.

Segundo Martins, apesar da região produtiva necessitar de novas máquinas e implementos, essa situação deixou o setor de revenda prjudicado levando a um número decrescente de negócios. “Atualmente, mesmo aqueles que têm disponibilidade de crédito, estão repensando os investimentos”.

O reflexo desta situação alcança a macro economia regional. Segundo o secretário de agricultura de Luís Eduardo Magalhães, Eduardo Yamashita, “a indústria, o comércio e o setor de serviços também estão atrelados à economia do agronegócio e quando o setor primário vai mal, todos se ressentem com a diminuição da circulação de dinheiro”.

Como não há expectativa de solução para a questão do câmbio, os produtores esperam do governo investimentos em infra-estrutura logística, como a construção de ferrovias e melhoramento dos portos, além da redução da carga tributária, de acordo com Humberto Santa Cruz. Ele enfatiza que da parte dos produtores, continuam os investimentos em pesquisa.

MIRIAM HERMES