Duras críticas constrangem a Monsanto
Patrocinadora de um simpósio nacional sobre milho, a Monsanto foi submetida ontem a um constrangimento público com um duro questionamento feito durante o evento pelo agrônomo Marco Antônio de Carvalho, especialista do segmento na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Em uma surpreendente intervenção de dez minutos no painel sobre as perspectivas para o milho, Carvalho acusou a multinacional de usar suas sementes transgênicas apenas como "veículo de promoção" de seus agrotóxicos. "É uma venda casada, está claro. Na soja, eles vendem o Roundup barato e ganham no volume", disse. "E os produtores de milho também vão comprar essa propaganda porque não têm necessidade de comprar uma semente muito mais cara para combater uma praga que aparece muito ocasionalmente", afirmou. A Monsanto aguarda a liberação comercial do milho transgênico "YeldGard" tolerante a insetos pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).
Presente à palestra do evento, o diretor da Monsanto, Rodrigo Almeida, limitou-se a emitir sinais de contrariedade ao balançar a cabeça, mas não respondeu publicamente ao representante da Conab. Antes, porém, Almeida havia defendido o uso do milho transgênico no Brasil como forma de elevar a produtividade e a produção no país. "Estamos fazendo festa, mas este milho da Bayer é um avô, que já foi aprovado há 12 anos em outro países", disse, em referência à aprovação comercial do milho "Liberty Link" pela CTNBio na semana passada. "A mudança de sementes pode colocar 6 milhões de toneladas na produção do Brasil". (MZ)