Testes avaliam uso da folha do pinhão manso como forrageira

28/05/2007

Testes avaliam uso da folha do pinhão manso como forrageira

 

Testes realizados em folhas de pinhão manso, cultivadas em condições irrigadas e sequeiro, mostraram concentração de valores de proteína bruta ao redor de 14,5% e digestibilidade de 55%. As análises foram feitas no Laboratório de Nutrição Animal da Embrapa SemiÁrido em Petrolina (PE).
Segundo os pesquisadores, esses índices são próximos aos encontrados em plantas de média e boa qualidade forrageira. Eles estudam as propriedades oleaginosas da espécie e o sistema produtivo adequado à introdução da planta no programa brasileiro de biocombustíveis e também avaliam qualidades para uso como forragem na agricultura familiar.
Um desses pesquisadores, José Barbosa dos Anjos, comentou que, se essas duas qualidades do pinhão manso se viabilizarem, “será dado um passo importante para consolidar uma alternativa econômica sustentável para os pequenos agricultores da região”.
Ele diz que, apesar de os resultados serem animadores, a exploração do pinhão manso ainda carece de informações agronômicas consistentes para cultivo em escala comercial. “Em todo o planeta, a espécie ainda está em via de domesticação, daí não ser recomendada como forrageira”, afirma José Barbosa, e completa, dizendo que dados sobre produtividade, manejo de pragas e doenças, podas e espaçamento entre plantas, praticamente não existem na literatura técnico-científica.
“A planta apresenta princípios tóxicos que ainda não foram dosados em condições brasileiras. Eles vão ser os próximos alvos de nossos estudos”, explica o pesquisador Luiz Gustavo Ribeiro Pereira, da Embrapa SemiAacute;rido.
No ensaio piloto conduzido no Laboratório de Nutrição Animal com ovinos foi constatado que, em conseqüência da elevada acidez no látex (pH variando entre 2,0 e 3,0), as folhas verdes do pinhão manso não são ingeridas pelos animais. “Contudo, quando processadas e submetidas ao processo de secagem ao sol (fenação), os animais consumiram sem dificuldade”, explica Luiz Gustavo.
Ele aponta a necessidade de estudos mais aprofundados e detalhados para avaliação de consumo, desempenho, digestibilidade e impactos no metabolismo e saúde dos animais. Ressalta que, em outros países, já foram identificados na planta do pinhão manso a presença de fatores cancerígenos, antitripicínicos, alergênicos, e tóxicos (curcina).

Pesquisadores estão animados

Encontrado em vários países sob as mais diversas condições ambientais, o pinhão manso possui características já identificadas, como longo ciclo produtivo, que anima pesquisadores no sentido de agilizar estudos que visem a domesticar a planta.

Em testes realizados no campo experimental da Embrapa para avaliar o desempenho produtivo, o pesquisador Marcos Drumond colheu cerca de uma tonelada de sementes por hectare com irrigação semanal a partir do sexto mês de cultivo. “Sob plantio de sequeiro, a colheita foi de 250 kg de sementes por hectare e, embora seja resultado do primeiro ano de plantio, mostra quanto é promissor o cultivo desta espécie oleaginosa”, afirma o pesquisador.

Estudos para eliminar toxicidade de tortas e farelos, assim como da viabilidade de utilização por diferentes espécies animais (caprinos, ovinos e bovinos), também são realizados na unidade da Embrapa.

Um outro estudo que está em andamento é o da exploração do pinhão manso (Jatropha curcas L) por meio de enxertia sobre plantas de pinhão bravo (Jatropha molissíma Muell Arg.) em áreas degradadas da caatinga. O que se quer é aproveitar a resistência e a rusticidade da espécie nativa para oferecer uma alternativa de enriquecimento da vegetação natural, associado à produção de matéria-prima para produção de biodiesel.

O pesquisador José Barbosa dos Anjos considera fundamental estabelecer uma estratégia de exploração para o pinhão manso “tão importante quanto a necessidade de pesquisas”. Nas áreas de sequeiro do semiaacute;rido o cultivo comercial de pinhão manso precisa ser estimulado não como monocultivo, mas alternativa para ampliar a diversificação dos seus sistemas agrícolas. Com base nos bons resultados alcançados pelas pesquisas até o momento, o pesquisador considera a possibilidade do plantio consorciado com capim buffel. “Na área semiaacute;rida do Nordeste existem cerca de 400 mil hectares cultivados com este capim e, como os animais não consomem as folhas verdes do pinhão manso, este pode ser uma opção estratégica para plantio nas terras cultivadas com o buffel”, defende o pesquisador.

CRISTINA LAURA