Reunião em Barreiras
Os 430 representantes dos municípios dos territórios da Bacia do Rio Corrente e do Oeste Baiano elegeram como prioridades para o PPA quatro pontos: educação, saúde, agricultura e energia. A plenária aconteceu na sexta-feira, em Barreiras.
O Território da Bacia do Rio Corrente abrange municípios (mais de 200 mil pessoas), como Brejolândia, Canápolis, Cocos, Coribe, Correntina, Jaborandi, Santa Maria da Vitória, Santana, São Félix do Coribe e Serra Dourada.
Já o Território do Oeste Baiano possui mais de 340 mil pessoas nos municípios de Angical, Baianópolis, Barreiras, Buritirama, Catolândia, Cotegipe, Cristópolis, Formosa do Rio Preto, Luís Eduardo Magalhães, Mansidão, Riachão das Neves, Santa Rita de Cássia, São Desidério e Wanderley.
Eixos de desenvolvimento
Mais de mil pessoas participaram da plenária que reuniu os territórios da Bacia do Paramirim e do Velho Chico, realizada na sede da Associação Atlética Banco do Brasil (AABB), em Bom Jesus da Lapa, no sábado. Foi o evento de maior participação até o momento, com um total de 957 credenciados, e o que reuniu o maior número de representantes do poder público (174), segundo a equipe da Secretaria do Planejamento.
Os representantes dos nove municípios do Território da Bacia do Paramirim, castigados pela falta de serviços de saúde de qualidade, que os obrigam a recorrer a municípios de outros estados, definiram como prioritários os investimentos nessa área. Já os representantes do Território do Velho Chico ratificaram o clamor dos demais territórios que já realizaram suas plenárias: querem prioridade absoluta para a educação.
Apesar de o número de participantes ter superado a expectativa, os serviços de apoio garantiram o início das atividades, às 10h, e o retorno às 14h, logo após o almoço. As boas condições de trabalho proporcionaram bons debates nos grupos temáticos.
Pela primeira vez foi possível instalar os seis grupos temáticos de cada território, possibilitando um conjunto de propostas coerente com as necessidades apontadas por diversos indicadores daqueles territórios.
Nos dois territórios, mais de 1/3 da população é analfabeta (31,1% no Velho Chico e 34,5% na Bacia do Paramirim), menos de 2% têm renda familiar per capita superior a cinco salários mínimos (1,9% e 1,3%, respectivamente) e mais da metade não tem rendimento – dependem basicamente dos programas governamentais, como o Bolsa Família.
O desejo de trabalhar a terra e produzir riqueza é justamente o sonho de indígenas e remanescentes de quilombos, que ao longo de décadas têm feito uma luta de resistência.
Guerreiras como a cacique Isaura Maria de Souza, da aldeia Pancaru, do município de Muquém do São Francisco. Ela e cerca de 40 indígenas da aldeia foram reclamar a terra prometida governo após governo. Herdeira da luta dos pais e avós, a cacique foi taxativa: "É bom estar aqui, porque pela primeira vez o povo está sendo ouvido. Mas nós queremos as nossas terras."
O quilombola Benício Pereira, 78 anos, da comunidade de Araçá Cariacá, em Bom Jesus da Lapa, quilombo já reconhecido, já viu este mesmo sonho virar realidade. "Meu pai sempre dizia que ainda ia chegar o dia de a gente ver o nosso direito respeitado, com a nossa terra garantida, e ele tinha razão", disse.
"Quem é quilombola aí?"
. As crianças da escola do Barro Vermelho, primeiro quilombo reconhecido pelo Estado brasileiro, não têm dúvidas e respondem em coro: "Eu!" As 181 vagas da única escola de ensino fundamental da comunidade, dirigida pelo professor João Conceição, estão ocupadas. Uma outra escola está sendo construída pela prefeitura, para ampliar o número de vagas. Mas João quer mais: "Precisamos de um infocentro."Em meio às articulações, todo esperançoso, Urozildo Conceição aguardava o início do PPA. "Tomara Deus que as conversas ajudem a melhorar a situação das nossas roças para eu comprar minha geladeira", disse. A expectativa de Urozildo se traduz pelo fato de o quilombo Licuri, onde ele mora, ter sido beneficiado pelo programa federal Luz para Todos há um mês.
Obtendo incentivos para a agricultura e desenvolvimento sustentável das populações quilombolas, um dos eixos prioritários da Secretaria de Promoção da Igualdade neste primeiro ano de governo, Seu Urozildo, como é conhecido, poderá adquirir a tão sonhada geladeira a ser utilizada por ele e seus 10 filhos.
Quem também marcou presença no PPA foi a representante das 120 famílias pertencentes ao quilombo Araçá Volta, Tomázia Maria da Silva. O tom feminino revelava a firmeza de quem estava ali e sabia o que precisava fazer. "Vim discutir com os governantes como podemos fazer para melhorar a vida lá do quilombo, porque quem sabe o que nós queremos somos nós que moramos lá", declarou, reiterando a perspectiva de mudanças nos quesitos, educação e geração de emprego e renda.
Os jovens quilombolas de Nova Batalhinha foram representados por Adenilton Borges. Apesar da pouca idade, Adenilton mostrava consciência dos seus direitos. Ele disse que estava no PPA "para somar" e uma de suas propostas foi na área educacional.