Acordo visa estimular crescimento da pesca
Apesar de possuir a maior costa do Brasil, a Bahia ainda é o terceiro Estado produtor de pescado do País. É neste segmento que estão 37 mil pessoas que vivem exclusivamente da pesca e dependem da ajuda do governo para incrementar a produção e garantir mais competitividade.
Ontem, um acordo assinado entre os governos estadual e federal acendeu uma luz no fim do túnel. O ministro da Aqüicultura e Pesca, Altemir Gregolin, e o governador Jaques Wagner assinaram acordo de cooperação técnica para elaboração e execução de um programa de desenvolvimento da atividade pesqueira artesanal sustentável na região conhecida como baixo sul.
Até lá, os pescadores e marisqueiras da região vão tocando o barco com as dificuldades de sempre. “Falta um centro de beneficiamento para que possamos melhorar a qualidade do nosso produto e competir no mercado”, afirma Edvaldo de Almeida, presidente da Associação dos Pescadores Artesanais e Marisqueiras do Guaibim (Valença).
ATRAVESSADOR – A entidade, que reúne 218 associados, pesca três toneladas por mês e abastece o mercado local. “Precisamos nos equipar melhor para que possamos comercializar nossa produção diretamente, sem precisar passar pelo atravessador”, explicou o presidente.
O ministro Gregolim afirmou que, a partir da elaboração deste plano, a secretaria irá ampliar os investimentos na Bahia, mas não soube explicar de quanto seria este aporte de recursos para o setor. “O acordo deu as bases para que possamos implementar as ações mais adiante”, disse.
Além deste acordo, Wagner e Gregolim firmaram também um acordo com o Conselho de Petróleo e Gás, visando uma melhor integração entre este setor com a produção pesqueira. “Muitas vezes, são feitas prospecções que afetam a produção. E quem acaba perdendo somos nós”, disse o secretário da Federação dos Pescadores da Bahia, Emílio Vieira. Segundo ele, é preciso evitar o impacto com a abertura de poços.
Vieira defende também maiores investimentos para o setor, que, segundo explicou, tem um grande passivo. “É necessária uma ação mais ativa para resgatar as perdas que tivemos nos últimos anos”, disse.
O governador Jaques Wagner afirmou que pretende assegurar o segundo lugar no ranking do setor de pesca. “Só não digo que quero o primeiro porque este é de Santa Catarina, estado do ministro Gregolim, e aí ele pode não ter boa vontade com a gente”, brincou.
Durante o evento, foram entregues 15 kits de feira aos pescadores. A barraca dobrável de lona possui balcão desmontável e caixa isotérmica e servirá para que os pescadores possam comercializar seus peixes nas feiras livres. Apesar da boa intenção, o número de kits não atende a demanda. O presidente da Colônia de Pesca Z65, do município de Igrapiúna, que tem 417 pescadores, reclamou: “Não temos nem uma cãmera frigorífica”.
RONALDO JACOBINA