Biotecnologia aproxima Votorantim e Monsanto
As empresas Alellyx e CanaVialis, controladas pela Votorantim Novos Negócios (VNN), assinaram acordo de transferência de tecnologia com a multinacional Monsanto, sediada em Saint Luis (EUA), para o desenvolvimento de variedades de culturas convencionais e transgênicas. O valor envolvido na negociação não foi revelado.
Pelo acordo, as empresas compartilharão os bancos de germoplasmas que detêm e também poderão utilizar tecnologias da Basf, tendo em vista o acordo global fechado em março entre a Monsanto e a alemã para desenvolver sementes transgênicas de milho, soja, algodão e canola tolerantes à seca.
De acordo com Fernando Reinach, presidente da Alellyx e diretor-executivo da VNN, em uma primeira fase o grupo usará as tecnologias Roundup Ready (RR, que dá resistência ao herbicida glifosato), e Bt (que confere tolerância a insetos) nas variedades de cana em desenvolvimento pela empresa no Brasil. "A previsão é que as primeiras variedades de cana chegarão ao mercado em 2009", afirmou Reinach. Atualmente, a Alellyx testa 15 variedades, das quais duas ou três chegarão ao mercado.
A Monsanto, por sua vez, terá o direito de utilizar germoplasmas de cana, eucalipto e laranja patenteados pela Alellyx para desenvolver seus transgênicos em todo o mundo. "O objetivo inicial é avaliar quais genes da cana-de-açúcar importantes para as culturas que a Monsanto foca no mundo, que são milho, soja, algodão, canola e hortaliças", afirmou Alfonso Alba, presidente da Monsanto no Brasil.
Para uma segunda etapa, as companhias revelaram o interesse em desenvolver variedades com as características genéticas de resistência a estresse hídrico e maior produtividade (ou maior capacidade da planta de acumular açúcar). A idéia é transferir genes da cana para o milho e beterraba, entre outras mudanças genéticas.
Pelo acordo, a tecnologia desenvolvida por Monsanto e Alellyx poderá ser usada para produção de sementes pela CanaVialis e a Monsoy. É a primeira parceria do gênero fechada pela Monsanto na América Latina, e é a primeira vez que a multinacional entra no segmento de cana. Para a Alellyx é o primeiro acordo internacional, o que abre de vez o mercado externo para a empresa.
Ricardo Madureira, presidente da CanaVialis, observou que a empresa começou a exportar tecnologia no fim do ano passado, quando assinou contrato para exportar variedades e desenvolver cultivares adaptadas à Angola. O interesse das empresas, no entanto, ficará muito focado no curto prazo, em culturas que poderão ser usadas como matérias-primas para biocombustíveis - a saber, cana-de-açúcar e milho.
Neste segmento, a Votorantim Novos Negócios iniciou recentemente as operações da Biocel, que se dedicará à produção de etanol ligno-celulósico. Reinach observou que a empresa negocia associações com grupos americanos para desenvolver um método que utiliza enzimas para a quebra da celulose. No Brasil, a Dedini produz etanol celulósico com uso de ácidos, mas possui baixa produtividade. A Biocel receberá aporte de até US$ 40 milhões e deverá ter uma usina piloto até 2010.
CIBELLE BOUÇAS