Venda de peixes ainda é fraca

30/05/2007

Venda de peixes ainda é fraca

O Centro de Recursos Ambientais do Estado (CRA) está realizando monitoramento quinzenal das águas da Baía de Todos os Santos para acompanhar qualquer alteração que leve às condições ideais para a ocorrência de uma nova maré vermelha: temperaturas elevadas na água e alto nível de matéria orgânica. “Buscamos estabelecer ações para que possamos prever a possibilidade da ocorrência de um novo fenômeno de maré vermelha”, explica o assessor técnico Jefferson Viana.
Além do acompanhamento, foi retomada uma intensa fiscalização das empresas instaladas no entorno. “Desde o início do fenômeno, em março, temos realizado inspeções constantes em todas as indústrias do entorno da Baía de Todos os Santos. Há muito tempo isso não acontecia”.
O consumo os peixes provenientes da Baía de Todos os Santos está liberado, é o que garante o órgão. De acordo com o assessor técnico Jefferson Viana, a proibição da pesca foi mantida para que o ecossistema pudesse se recuperar e não porque os pescados oferecessem risco à saúde humana.

PORTARIA – “A portaria proibindo a pesca foi lançada pelo Ibama quando não sabíamos o que havia causado a mortandade de peixes. Quando soubemos que se tratava de maré vermelha e que a espécie causadora da mortandade era nociva apenas para os peixes, publicamos uma nota técnica informando que os peixes que fossem pescados poderiam ser consumidos, mas que a proibição seria mantida para a recuperação do ecossistema”, explicou Viana.

Na prática, proibição sequer foi respeitada por pescadores

A permissão de voltar ao mar a partir de ontem só oficializou o que não deixou de acontecer em todos os municípios durante todo a proibição: a pesca, venda e consumo de peixes e mariscos.

A maioria dos habitantes das ilhas e municípios onde ocorreu a maré vermelha ainda não acredita que o fenômeno tenha sido responsável pela mortandade dos peixes. “Acupe nunca deixou de pescar e comer peixe”, disse o presidente da Colônia de Pesca Z 27, João Sacra mento.

Nascida em Bom Jesus dos Passos, a marisqueira Edvilges Aneli dos Santos, 76 anos, afirma nunca ter visto algo parecido. “Isso tudo foi mentira. Não foi o mar que fez isso”. Segundo o pescador Cézar Santana de Jesus, 25 anos, foi o peixe da região que o manteve vivo. “Se eu tivesse parado de pescar para comer, teria morrido”.

As amigas Ariana Nobre Eustorgio, 23, e Ana Cília Rangel Garcia, 33, sobreviveram com outros serviços. “Como ninguém comprava o que a gente pegava, o jeito foi fazer faxina, lavar roupa da casa dos outros”.

O pescador Edmilson dos Santos Soares, 23 anos, só deixou de comer siri, durante o período de proibição. “Fiquei enjoado, com dor na barriga e na cabeça.

Depois de um chá, melhorei, mas só fiquei comendo peixe”. No posto de saúde de Acupe, não houve registro relacionado ao consumo de frutos do mar contaminados. “Não tivemos nenhum caso aqui. Ficamos até preocupados, mas não foi constatado nada na época”, disse a supervisora Aldenice Souza dos Santos.

CRISTINA DE MORAES