Potencial econômico da Bahia desperta interesse da Austrália

31/05/2007

Potencial econômico da Bahia desperta interesse da Austrália

Estado é incluído em obra dirigida a segmentos governamentais e privados e centros de pesquisa australianos

A Bahia fará parte de um capítulo do relatório sobre o Brasil a ser editado em 2008 pelo Departamento de Relações Exteriores da Austrália. Em visita ao estado, o diretor de Economia Analítica, Christopher Lang, colheu informações sobre o desempenho da economia baiana entre 2003 e 2006 e as perspectivas de crescimento e oportunidades de investimento a curto e médio prazos.

A publicação australiana, dirigida a segmentos ligados ao governo, setor privado, centros de estudo e pesquisa, organizações não-governamentais e universidades, aborda temas específicos e/ou apresenta o potencial econômico de países, revelando novas oportunidades de negócio e parceria. "O Brasil é um país muito importante do ponto de vista econômico no cenário mundial", disse Lang.

Há seis anos, segundo ele, o Brasil foi tema de um relatório semelhante, quando se revelou um parceiro potencial da Austrália, despertando o interesse daquele país para uma nova abordagem na qual a Bahia foi incluída. O clima tropical, as atividades na área da pecuária, agricultura e a existência de uma extensa região semi-árida foram apontados por Christopher Lang como as principais semelhanças entre os dois países.

Em reunião, segunda-feira, no gabinete da Secretaria do Planejamento, onde foi recebido pelo secretário Ronald Lobato, Lang também manteve contato com representantes da Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração (SICM), do Promo – Centro Internacional de Negócios da Bahia, Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI) e Universidade Federal da Bahia.

Integrador continental.

Lobato destacou a intenção do Governo do Estado em resgatar a Bahia como território que integra o Brasil ao continente sul-americano e ao resto do mundo, ação que será viabilizada por investimentos como a construção da Ferrovia Leste/Oeste, que vai ligar o leste da Bahia ao oeste do Brasil, na fronteira com o Peru.

"Estamos avaliando alternativas de traçado, mas temos certeza que a ferrovia vai ser de extrema importância na dinamização da economia baiana", comentou o secretário. Ele ressaltou ainda que o investimento vai permitir o escoamento da produção de ferro, com ocorrência importante nos municípios de Boquira, Macaúbas, Botuporã, Tanque Novo e Ibipitanga.

Outras ações estruturantes projetadas para os próximos anos e que são consideradas fundamentais ao desenvolvimento econômico do estado com eqüidade, equilíbrio social e étnico foram apresentadas ao representante australiano.

Entre as intervenções, destacam-se a construção dos acessos ferroviários a Salvador e Camaçari/Aratu, a recuperação da Ferrovia Aratu/Juazeiro e da ponte ferroviária Cachoeira/São Félix, com obras já em andamento, e a plataforma intermodal no porto de Juazeiro, que inclui a revitalização da Hidrovia do São Francisco.

PAC.

A reunião com o representante do governo australiano contou com uma explanação realizada pela SEI sobre o desempenho econômico da Bahia e as intervenções previstas no estado a partir do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, que pretende investir R$ 503,9 bilhões no país entre este ano e 2010.

Os investimentos do PAC se dividem em cinco vertentes: infra-estrutura, estímulo ao crédito e ao financiamento, melhoria do ambiente de investimento, desoneração e aperfeiçoamento do sistema tributário e medidas fiscais de longo prazo, que trata do comportamento do gasto público nos próximos anos.

As intervenções prioritárias do PAC se concentram no setor de infra-estrutura, com aplicações em energia, logística e nas áreas social e urbana. "Vale lembrar que muitas oportunidades de investimento na Bahia não estão dispostas no PAC", disse Lobato a Christopher Lang, citando a recuperação da Ferrovia Centro Atlântica (FCA), ligando Juazeiro ao Porto de Aratu.

"Estamos abertos às Parcerias Público-Privadas (PPPs) e a concessões, a partir de oportunidades oferecidas em todo o estado, com prioridade para a agricultura familiar", afirmou o secretário.

Logística no semi-árido

Sobre o semi-árido baiano, Lobato afirmou: "Temos uma extensa região semi-árida muito pobre, onde queremos desenvolver ambiciosas ações na área de logística para viabilizar também projetos menores, como a criação de cabra, produção de mel, sisal, biodiesel e aqüicultura, viabilizando os Arranjos Produtivos Locais (APLs)."

A expectativa de crescimento do PIB acima da média nacional entre este ano e 2010 também mereceu destaque na reunião com o representante da Austrália. Para os próximos quatro anos, a média de crescimento nacional deve ficar em 4,9%, enquanto as projeções para a Bahia dão conta de um crescimento médio em 6%.