Ceplac traz de volta antiga variedade de mandioca

04/06/2007

Ceplac traz de volta antiga variedade de mandioca

A mais nova variedade de mandioca, a Santa Matilde, foi divulgada pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) em Santo Antônio de Jesus, durante a 3ª Expomandioca, em maio. Mas, somente após o registrado no Ministério da Agricultura é que as unidades da Ceplac receberão material para a multiplicação da variedade e repasse entre os pequenos produtores do Estado.

Com a nova variedade, um dos objetivos é aumentar a produtividade no sul do Estado, no Recôncavo e baixo sul, principais regiões produtoras de mandioca do Estado.

Somente no município de Laje, no Recôncavo, são seis mil hectares de área cultivada com mandioca, dos quais, 90% estão com agricultores familiares.

Segundo Jorge Bahia, pesquisador do Centro de Pesquisa do Cacau (Cepec), em Itabuna, a nova cultivar é resultado de um trabalho da Ceplac – iniciado na década de 1970 e recomeçado 10 anos depois – melhorada, entre 1999 a 2006, com testes em estações experimentais e áreas de agricultura.

“É uma cultivar local, que o agricultor planta há décadas. Estava perdida e redescoberta agora em trabalho de campo”, explicou o pesquisador. A Santa Matilde (identificada sob o número Ceplac 5001/07) apresenta até 3,20 metros de altura, com nível de ramificação indiviso. “Dentre as características da variedade destaca-se a facilidade de arranque das raízes”, destacou Jorge Bahia.

A Ceplac possui um campo de experimentos na Fazenda Santa Matilde, no município de Itajuípe, no sul do Estado, com área plantada de dois hectares com a variedade, que ainda não pode ser distribuída, pois depende da liberação do Ministério da Agricultura, após o registro, que a Ceplac assegura estar providenciando.

A Santa Matilde já chegou a mais de 45 toneladas de raízes por hectare aos 12 meses de plantio. Um ótimo resultado, já que o normal é de 11 a 12 toneladas por hectare”, destaca Jorge Bahia, lembrando que a variedade é precoce e que pode ser colhida já a partir do décimo mês de plantada.

A Ceplac, através do Centro de Pesquisas do Cacau (Cepec), trabalha com mandiocultura desde a década de 1980, testando parâmetros referentes à adaptação, produtividade, resistência a pragas e doenças e 1.521 acessos introduzidos e 80 acessos locais. Dentre os acessos locais trabalhados, destacase a cultivar Ceplac 500107, cuja denominação foi tirada do nome da Fazenda Santa Matilde, município de Itajuípe, no sul do Estado, onde está sendo cultivada.

Farinha de mesa com boa qualidade para consumo

Segundo o pesquisador Jorge Bahia, dados experimentais obtidos pela Ceplac, em 2005 e 2006, com colheita aos 10 meses após o plantio, apresentaram rendimento médio de 32,7 toneladas de raízes por hectare, com 28,2% de matéria seca e 23% de amido. “Entretanto, na colheita efetuada aos 12 meses depois do plantio, a Santa Matilde apresentou rendimento de 45,2 toneladas de raízes por hectare, sendo 33,1% de matéria seca e 28,5% de amido, ultrapassando em precocidade, produtividade e teor de amido as cultivares tradicionalmente cultivadas na região cacaueira do Estado”, comemora Jorge Bahia.

A Santa Matilde apresenta poupa branca, cor da película marrom-clara, raiz fusiforme, sem pedúnculo e sem cinta, características excelentes em raízes para exploração industrial.

“Resultando em ótimo rendimento, além de boa qualidade da farinha de mesa para consumo”, informou o pesquisador da Ceplac. O objetivo da pesquisa, de acordo com Jorge Bahia, é aumentar a produtividade da mandioca no Estado e melhorar a qualidade de vida dos pequenos agricultores da região.

CRISTINA SANTOS PITA