Frigorífico Diplomata retoma abates

04/06/2007

Frigorífico Diplomata retoma abates

 

Recuperação do mercado estimula empresa do PR a reativar frigorífico fechado há 7 anos. O frigorífico Diplomata, de Cascavel (PR), retoma hoje o processamento de 550 cabeças por dia de suínos no complexo agroindustrial de Guarujá do Sul (SC). Vai aproveitar o momento favorável após o reconhecimento de Santa Catarina como área livre de aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). A planta foi arrematada pelo Diplomata em leilão, no ano passado, e ficou parada seis meses por falta de mercado. "Com o status obtido, a expectativa é que a Rússia retire o embargo", diz o superintendente industrial do Diplomata, Genézio Ricardo Garbin.


A indústria tem capacidade instalada para abater 1.000 suínos por dia e já contratou 120 empregados para iniciar as atividades dessa unidade. Do total abatido, 40% será destinado à exportação e 60% para o mercado interno. As exportações, inicialmente serão para a Ucrânia, Hong Kong e outros países próximos à Rússia. Em 2005, Santa Catarina aumentou o volume de abate de suínos de 7,68 milhões de cabeças para 8,05 milhões de cabeças, em função das exportações aceleradas para a Rússia. Em 2006 a produção caiu para 7,88 milhões de animais, conforme estatística do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola de Santa Catarina (Epagri/Icepa). Em 2007, volta a tendência de crescimento das exportações. No primeiro quadrimestre, foram abatidos 2,68 milhões de suínos, 8% a mais do que no mesmo período de 2006.


Garbin afirma que com a unidade de Guarujá do Sul, o Diplomata ingressa na suinocultura e completa a atuação nas quatro proteínas: frango, boi, porco e leite (derivados). Possui hoje três unidades de aves no Paraná, uma de aves em Santa Catarina e uma de bovinos no Mato Grosso do Sul. Abate 450 mil aves por dia, 15% a mais do que no ano passado. Há 60 dias, o Diplomata arrendou, com opção de compra, o frigorífico Comaves, de Londrina (PR).


Outro incentivo para o crescimento do abate de aves, segundo Garbin, foi a retomada das exportações, passado o temor da contaminação da gripe aviária no mundo. O frigorífico obteve faturamento bruto no ano passado de R$ 700 milhões. As aves representaram 70% da receita e metade da produção de frangos é exportada.


Em Santa Catarina, os suínos serão fornecidos para o Diplomata por 50 produtores do extremo oeste, mediante Termo de Compromisso firmado entre a Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS) e o frigorífico. A associação garante a entrega dos animais a preços compatíveis. "O produtor receberá R$ 1,50 o quilo do suíno com prazo de 15 dias para o pagamento", segundo informou o presidente da ACCS, Wolmir de Souza.


A unidade de Guarujá do Sul possui quatro terrenos rurais com área total de 212,3 mil metros quadrados sobre os quais está construído um conjunto de 14 prédios industriais com área total de 7.145 metros quadrados. Na década passada, o frigorífico chegou a sustentar 300 empregos diretos e cerca de 1.500 indiretos e gerar movimento econômico de R$ 5 milhões/mês naquela região. Em dezembro de 2000, a empresa requereu falência.

JULIANA WJLKE