Peça enfoca preservação ambiental
Alunos de escolas públicas de Plataforma e São João do Cabrito mostram sua arte no Teatro Gregório de Mattos
Conscientização ambiental e formação de agentes multiplicadores. A conquista desses dois objetivos por meio da arte é o desafio do grupo teatral Cheiro de Maré, formado por estudantes de escolas públicas dos bairros de Plataforma e São João do Cabrito.
Eles são os atores do espetáculo Ode ao Grito do Parque São Bartolomeu, que terá uma apresentação especial voltada para professores e dirigentes de escolas públicas, no Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado em 5 de junho, no Teatro Gregório de Mattos, às 16h. A entrada é gratuita. "O objetivo é, com a peça de teatro, despertar os educadores para uma proposta de preservação do Parque São Bartolomeu, tornando-os multiplicadores desta mensagem junto aos seus alunos", afirmou o diretor da peça, Adalberto da Palma.
Ele montou um espetáculo teatral com adolescentes carentes que vivem em bairros próximos do Parque São Bartolomeu, contando toda a história do parque e a importância da preservação. A peça é apresentada em escolas públicas da área. Seu elenco é composto por 10 atores que vêm revelando surpresas desde 2005, quando o espetáculo obteve na 12a edição do Festival de Artes Professor Anísio Teixeira os prêmios de melhor espetáculo, atriz e figurino.
Em 2006, recebeu a primeira colocação na categoria Atuação Sustentável do Prêmio Bahia Ambiental do Governo do Estado. E, mais recentemente, foi selecionado pelo Prêmio Myriam Muniz, promovido pelo Ministério da Cultura, na categoria Teatro para a Infância e Juventude. O grupo, fundado há cinco anos, tem sede no Centro de Esportes, Arte e Cultura César Borges, localizado em Alagados. O centro pertence à Secretaria da Educação (SEC) e atende alunos que estudam em escolas regulares da rede estadual.
São oferecidas atividades culturais e são trabalhados temas transversais, vinculados ao fortalecimento da cidadania, ética, ecologia, cultura e saúde. Além disso, os alunos recebem reforço de Português e Matemática. O figurino, o cenário e a trilha sonora da peça são construídos a partir de recursos naturais. O figurino, de folha de coqueiro, foi considerado o melhor no 12o Festival de Artes Professor Anísio Teixeira, realizado em 2004, no Colégio Estadual Luiz Pinto de Carvalho, em São Caetano.
Centro de exaltação -
Agora, o projeto busca apoio para poder se apresentar, no segundo semestre, em escolas estaduais situadas em outros bairros da cidade e até em teatro. O espetáculo, que tem 55 minutos, começa com um canto de exaltação ao desespero do parque, a criação do mundo a partir da mitologia africana e descreve a concepção do meio ambiente a partir de uma chuva que criou os rios, os mares e as florestas.Depois enfoca o início do processo de degradação, caracterizado no roteiro pela chegada dos portugueses que invadem a floresta, na qual moravam os tupis, e depois, implantam os engenhos. Em seguida, narra-se a transformação do local em Quilombo do Urubu, santuário da religião afro-brasileira, com suas cascatas e plantas sagradas.
A peça mostra também a fusão das culturas indígena, européia e africana e as lutas pela Independência da Bahia, a exemplo da Batalha de Pirajá, que aconteceu na região, e o 2 de Julho. Ela apresenta ainda a depredação do parque, os atuais moradores e invasores, muitos deles pobres e descendentes de escravos, e dá um alerta sobre a importância da preservação do local, como um patrimônio físico e cultural de grande importância e que deve ser preservado.
A trilha sonora é ao vivo, a partir de toques de maracá, representando a cultura indígena, e de atabaque, do elemento africano, entremeados por cânticos da cultura européia sobre a devoção a Santo Antônio, introduzida na Bahia pelos colonizadores portugueses. O roteiro e a direção do espetáculo são do professor e coreógrafo Adalberto da Palma, um paulista entusiasmado com as questões socioambientais. O roteiro é baseado em textos de autores antigos, a exemplo do padre Antônio Vieira e Castro Alves, e de historiadores modernos, como Pierre Verger, Vivaldo da Costa Lima e Gey Espinheira, estudiosos do Parque São Bartolomeu.