Uso racional da cultura pode gerar mais alternativas
"Como é difícil chover na região, poderemos levar os produtores a fazer plantios em área de vazante, com a adubação certa e o preparo do solo de maneira adequada, para que possam ter cultura com produção garantida", afirma, tomando por base as variedades plantadas na área de experimento da Embrapa, em dezembro do ano passado.
Entre essas variedades está a de mesa. Conhecida como Recife, é utilizada na culinária regional e precisa de sete a oito meses para ser colhida, se cultivada em área irrigada, e até um ano se for de sequeiro.
A pesquisadora afirma que muitos produtores por não terem conhecimento, perdem a oportunidade de aproveitar mais a planta da mandioca. "O uso racional da cultura pode gerar mais alternativas e, através de várias podas, o produtor pode ter mais resultados, principalmente porque quando a chega o período de seca as folhas caem", informa.
Segundo a pesquisadora, a parte aérea da mandioca pode ser podada mais de uma vez e, com isso, o produtor aproveita as folhas para fazer ração de qualidade, que pode ter em torno de 12% a 15% de proteína, a depender da quantidade de folha. "Ele vai estar acessando um material rico em proteína para os seus animais, ao contrário de comprar material fora, como soja ou outra ração proteinada. Aproveita melhor a planta que já tem no momento em que iria perde as folhas com a estiagem", ressalta.
Além de fornecer ração de qualidade em termos protéicos, a parte aérea da planta, afirma a pesquisadora, é uma excelente opção, pois os animais aprovam o gosto da folha: "É palatável para caprinos, ovinos e bovinos, pois eles são atraídos pelo sabor da folha".
As experiências com a mandioca não estão apenas nas áreas da Embrapa. Foram levadas a comunidades de Petrolina, Dormentes, Rajada, em Pernambuco, Casa Nova, na Bahia, e Acauã, no Piauí. Segundo a pesquisadora, os agricultores dessas comunidades participam de todo o processo e são receptivos às novas experiências.
"Nós avaliamos tecnologias novas, mas também outras que não são totalmente novas, mas que precisam ser usadas, a exemplo da calagem.
Os nossos produtores não usam o preparo de solo como a calagem e a gente sabe que solos ácidos que têm pH baixo não vão produzir mandioca boa, mesmo que tenha variedade excelente", relata.
A preocupação da pesquisadora vem em razão dos solos ácidos e com deficiência de fósforo, um nutriente essencial para a cultura da mandioca.
As pesquisas têm dado resultado que são considerados satisfatórios com produtividade acima de 20 toneladas por hectare, quando a média nacional é de 13 toneladas. "Nós conseguimos em área que estamos trabalhando com o produtor até 26 toneladas por hectare em produção de mandioca, de raiz. E é importante ressaltar que foi feita apenas a calagem. Só com a correção do solo, conseguimos praticamente dobrar a produtividade média nacional de mandioca", comemorou a pesquisadora da Embrapa.
Em uma das áreas onde o experimento está sendo desenvolvido, na fazenda Caiçara, zona rural de Petrolina, o produtor Raimundo Bosco possui um hectare com pelo menos 20 variedades. O filho José Carlos Nunes dos Santos, de 20 anos, conta que todas elas foram plantadas em fevereiro, mês em que caiu a última chuva, e é observado que cada uma das variedades apresenta característica diferente. Algumas continuam a crescer, outras não resistiram à seca.
A raiz e a folha são usadas pelos produtores na forragem para os animais, mas eles também possuem cultivares para consumo humano. Ao redor da área de plantio, a região árida da Caatinga contrasta com o verde da mandioca. E é para tentar diminuir essa dificuldade de escassez de água que se torna "importante a participação ativa das organizações de produtores e o apoio das instituições públicas municipais, estaduais e federal", conclui a pesquisadora.