Mercado nacional está aberto para maçã baiana

11/06/2007

Mercado nacional está aberto para maçã baiana

Um lugar onde desemprego é palavra que aparece apenas no dicionário. Assim é Cascavel, distrito de Ibicoara, na Chapada Diamantina, município com renda per capita média de três salários mínimos.

Cascavel emprega mais de 3 mil pessoas – toda sua população adulta – projetando o maior índice de crescimento na Bahia, com 12,11%, segundo dados da Secretaria estadual do Planejamento, Ciência e Tecnologia.

Graças à agricultura, Ibicoara é o 60º município baiano – dentre os 417 do Estado – em crescimento e arrecadação. Ibicoara tem 18 mil habitantes (IBGE/2006) e área de 977 km². Este quadro começou com o incremento e a diversificação da produção agrícola, que passou de dois mil para oito mil hectares plantados em menos de cinco anos, envolvendo batata, couveflor, hortaliça, repolho, sorgo, café, trigo e, agora, maçã.

O diretor administrativo-financeiro da Bagisa, empresa de agropecuária e comércio, que cultiva a maçã na região, Gilmadson Cruz de Melo, explica que um dos objetivos do plantio é aproveitar uma “janela” entre dezembro e janeiro, quando cessa a produção nacional e o Brasil recebe maçã importada.

O objetivo da empresa é que 40% da produção seja comercializada na Bahia e o restante nos outros Estados do Nordeste. “Assim atendemos ao Nordeste e, num segundo momento, a Estados do Sul e Sudeste, sem perder em qualidade e com um preço acima do praticado por outros mercados”.

O mercado nordestino aceitou bem a oferta de R$ 30 pela caixa da maçã baiana. Comparado ao preço do Sul, o valor é quase o dobro.

“Eles geralmente fecham negócio a R$ 16 a caixa; então, quase que dobramos de preço” Há muitos anos, a Chapada Diamantina se destaca com produção de hortaliças, como batata e tomate, e de cafés de qualidade.

Junto com a maçã também estão sendo cultivados 30 hectares de ameixa e 4 hectares com tangerina, laranja, limão, caqui e atemóia.

Como chove pouco na região, o controle de pragas e de doenças fica mais fácil. No caso da maçã, o fruto alcança peso médio de 120 gramas e aspecto melhor que os de outras regiões do País.

“Na década de 1980, introduzimos a batata, que muitas pessoas não acreditavam que iria dar certo na Chapada Diamantina, mas já é sucesso comprovado”. A produção de batata ocupa uma área de 600 hectares na chapada e responde por 8% da produção nacional, com colheita média de 800 sacas/ha.

Para o diretor superintendente da Bagisa, Mauro Bannach, a fruticultura é a mais nova onda de desenvolvimento agrícola da região.

No final dos anos 1980 e início de 1990, foi a vez da expansão dos plantios de tomate. “Agora, tenho certeza de que é a vez das frutas”, diz. “O Estado da Bahia está entrando para o rol dos produtores de maçã no Brasil”, comemora.

Nas variedades do tipo gala e fuji, por exemplo, são necessárias pelo menos mil horas com temperatura em torno de 7º C. Em geral, diz o empresário, elas são encontradas nos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

O microclima médio na Chapada Diamantina, especialmente na região de Ibicoara, é de 20º C. Mas, ressalta, pode chegar a 5º C em determinadas épocas do ano, especialmente no inverno, o que torna a região adequada ao plantio. “O crescimento da área dependerá do mercado”, avalia Mauro Bannach, condicionando-se aos custos de produção e à adaptação da variedade à região. Hoje, são gerados oito empregos para cada hectare.

JUSCELINO SOUZA