Nova variedade de algodão para a região de Barreiras
Uma variedade de algodão adaptada para o cerrado baiano, a ser lançada no próximo ano, foi avaliada pelos produtores da região na semana passada, durante dia de campo na zona rural dos município de Luís Eduardo Magalhães e São Desidério. O novo tipo se destaca pelo porte mais baixo, estrutura compacta e por apresentar resistência múltipla a doenças fúngicas, bacterianas e viroses, além de oferecer padrão de fibra dentro do que é exigido pelos importadores.
Segundo o pesquisador da Embrapa Camilo Morello, no início do processo de seleção, para se chegar até a nova variedade, foram geradas milhares de famílias. Depois, foram avaliadas, por muitos anos, até se chegar a linhagens que são encaminhadas às regiões produtoras, para que sejam selecionadas as variedades que tenham o melhor desempenho local. “Temos pelo menos mais 15 outras linhagens finais em avaliação.
Nosso objetivo é que os lançamentos agreguem inovações características que até então o produtor não tenha em nível satisfatório no mercado”, ressalta Morello. Atualmente, 70% do algodão plantado no cerrado é da variedade Delta Opal. Porém, segundo os produtores, o ideal é ter mais opções que ofereçam resistência a pragas, doenças e fatores climáticos. Para atender a esta demanda, há 10 anos a Fundação Bahia, em parceria com a Embrapa, busca novas variedades. Ainda sem um nome definido (o que deve ser decidido no registro da patente) a nova variedade está em fase de pré-lançamento. “Foi trabalhada durante nove anos, com seleção, testes e avaliação feitos na Bahia”, diz Camilo Morello.
SEGUNDO LUGAR – A região, que nesta safra plantou 268.862 hectares, com previsão de colher 971.936 toneladas de algodão em caroço, deve alcançar produtividade média de 241 arrobas por hectare. Implantado no cerrado há 10 anos, o algodão já colocou a Bahia no segundo lugar, entre os produtores brasileiros. “Temos, favoráveis ao crescimento do algodão, áreas disponíveis, clima favorável e proximidade com o mercado consumidor interno, principalmente o Ceará e Pernambuco”, afirma Walter Horita, presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão e presidente da Fundação de Apoio a Pesquisa e Desenvolvimento do Oeste (Fundação Bahia).
Além de vender a fibra para o mercado interno, os cotonicultores baianos exportam para o mercado internacional, atendendo às indústrias mais exigentes em termos de qualidade, como o Sudeste Asiático, Coréia do Sul, Indonésia e Japão. “Temos atendido a esses mercados e, para continuar neste caminho, basta cuidarmos da questão ambiental e da fitossanidade, que vai garantir a sustentabilidade da cultura”, diz Horita. Ele cita o Programa deMonitoramento e Controle do bicudodo-algodoeiro, que reúne órgãos estatais e privados, como fundamental no crescimento da área na região. “Com o programa, temos possibilidade de convivência com esta praga, que atinge a cultura de algodão em todo o País, de forma a reduzir o número de pulverizações para o bom desempenho das plantas”, enfatiza.
O programa, segundo o presidente do Fundo para o Desenvolvimento do Agronegócio do Algodão (Fundeagro), Ezelino Carvalho, é de extrema importância para manter a infestação da principal praga do algodoeiro em níveis aceitáveis. Ele salienta que o desenvolvimento da cotonicultura na Bahia se apóia na gestão eficiente, ação mercadológica e tecnológica “fatores decisivos para a prática sustentável da atividade”.
MIRIAM HERMES