Museu do Recôncavo será
espaço de uso múltiplo
Patrimônio arquitetônico da região terá finalidades culturais
O Museu do Recôncavo Wanderley Pinho, uma das construções mais representativas do ciclo da cana-de-açúcar na Bahia será espaço de uso múltiplo. O anúncio foi feito pelo secretário da Cultura, Márcio Meirelles, durante a solenidade de assinatura do convênio entre o Governo da Bahia/Secult, a Fundação de Apoio à Pesquisa e à Extensão (Fapex) e a Petrobras, para a realização de obras emergenciais no imóvel.
Os recursos da Petrobras, da ordem de R$ 500 mil, serão utilizados na recuperação do sobrado, capela, telhado e pisos. O dinheiro será aplicado ainda nas novas instalações elétricas e em serviços de descupinização e drenagem. Outro projeto maior de R$ 5,6 milhões, que será captado também através da Lei Rouanet, prevê a recuperação total de todo o complexo. Esse projeto tem aval do Ministério da Cultura e está em análise no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para liberação.
Estiveram presentes à solenidade, representantes da Petrobras, das secretarias da Cultura e Infra-estrutura, da Sudic, prefeituras municipais e de associações comunitárias de Caboto, de Bananeiras e da Ilha de Maré, entre outras autoridades e personalidades.
"Espaços como esses, com 1,6 milhão de metros quadrados, sobrado de 55 cômodos, capela e fábrica de açúcar não podem ser apenas um simples local de exposição", explicou Meirelles.
Para o secretário, o atual museu não dispõe de condições próprias para guarda de peças frágeis e acervo permanente. A intenção da secretaria é propor nova utilização para tornar o espaço de uso múltiplo e de resgate da memória, com visitação e atividades constantes voltadas para pesquisadores, estudantes, turistas e comunidade da região.
Patrimônio histórico
Localizado no distrito de Matoim, município de Candeias, o Museu do Recôncavo encontra-se em região com remanescentes de Mata Atlântica, integrando a Área de Proteção Ambiental (APA) da Baía de Todos os Santos e às margens da Baía de Aratu.
"As primeiras construções remontam a uma sesmaria, onde mais tarde surgiria o Engenho Freguesia, e foi doada em 1560 a Sebastião Álvares. Nnesta época, o engenho possuía grandes edifícios", informou o diretor-geral do Ipac, arquiteto Frederico Mendonça.
Em 1624, foi incendiado pelos holandeses e a feição que a casa possui hoje é resultado das obras que aconteceram já em 1760. Em 1900, o engenho deixou de moer cana-de-açúcar e foi desapropriado, em 1968, pelo governo estadual para a instalação do Museu do Recôncavo Wanderley Pinho.
De acordo com dados do Iphan, a casa-grande é um dos raros exemplares, conhecidos no país, de edifício residencial desenvolvido em torno de dois pátios, com capela contígua consagrada a Nossa Senhora da Conceição - com porte de igreja matriz - e planta de corredores laterais e tribunas.
A casa possui quatro pisos, com quartos, salas e alcovas voltados para os pátios. A cozinha da casa com coifas e chaminés é do tipo, português típico alentejano. Sua fachada é marcada pela predominância de vazios, esquadrias do séc. XVIII e gradis de balcões do séc. XIX.
Atualmente, o museu encontra-se parcialmente aberto para visitação em função da realização das obras de recuperação que se iniciam ainda no segundo semestre. A exposição permanente está desativada e as peças estão armazenadas em outros museus até a sua reabertura.