São Francisco pode ter usina nuclear
O Nordeste brasileiro, principalmente a região do baixo São Francisco, entre Alagoas e Sergipe, é um dos candidatos a sediar uma nova central nuclear de produção de energia termelétrica a partir de urânio. A informação é do engenheiro nuclear, Leonam dos Santos Guimarães, assistente técnico da presidência da Eletronuclear – subsidiária da Eletrobrás, responsável por operar e construir as usinas termonucleares do País.
A construção de mais quatro usinas nucleares no Brasil está prevista no Plano Nacional de Energia 2030, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Ministério de Minas e Energia. De acordo com Guimarães, estima-se a necessidade de geração, até o ano de 2030, de 4 mil megawatts de energia nuclear, divididos entre o Nordeste e o Sudeste. Mas até meados de 2008 deverá haver uma sinalização sobre onde essas usinas serão instaladas.
REQUISITOS – Segundo ele, o baixo São Francisco, perto da Hidrelétrica de Xingó, tem características que atendem aos requisitos para instalação de uma central, que são baixa densidade demográfica e proximidade ao sistema de consumo, à linha de distribuição e a uma fonte de resfriamento. “Essa região atende a esses requisitos e o rio São Francisco poderia fornecer a água para resfriamento dos condensadores“, explica.
Ele lembra, entretanto, que o tema tema ainda deverá passar por consulta pública e ser aprovado pela Comissão Nacional de Política Energética (CNPE). “E a construção ficará também para após a conclusão da Angra 3, prevista para 2012“, afirma.
TECNOLOGIA – A instalação de uma usina nuclear geradora de 1.000 megawatts exige investimentos da ordem de R$ 2 bilhões.
O potencial de geração de empregos é de 1 mil postos fixos e 5 mil descontínuos – trabalhadores que uma vez por ano fazem a manutenção da usina. “A fase de construção, que dura cerca de 5 anos e 6 meses, emprega muito mais que isso“, diz. Guimarães defende ainda a desmistificação do potencial de graves acidentes nucleares.
“Trabalhamos no Brasil com tecnologia segura. O reator é completamente diferente daquele de Chernobyl“, disse, referindo-se à usina nuclear ucraniana, onde em 1986 ocorreu o pior acidente nuclear mundial.
JOSIANE SCHULZ