Santa Elisa e Vale do Rosário, já unidas, planejam expansão

15/06/2007

Santa Elisa e Vale do Rosário, já unidas, planejam expansão

A união entre a Cia. Açucareira Vale do Rosário, de Morro Agudo (SP), e a Cia. Energética Santa Elisa, de Sertãozinho (SP), que também engloba outras três usinas - MB, Jardest e Continental - , deverá ser concluída na primeira quinzena de julho. Na prática, contudo, as cinco usinas já operam como uma única empresa desde abril, quando as duas companhias deram início à colheita da safra 2007/08. 


"Já fizemos uma espécie de fusão branca. Agora, vamos colocar o preto no branco, formalizando a operação no papel", disse ao Valor Cícero Junqueira Franco, que era presidente da Vale do Rosário e hoje é porta-voz da B5, holding que controla a nova empresa que será criada a partir da fusão entre ambas. Os acionistas da Santa Elisa, que é controlada pela família Biagi, têm 70% da B5. Os 30% restantes estão nas mãos dos acionistas que permaneceram na Vale do Rosário. São cerca de 40, de um total de 130 de sua formação original. A família de Junqueira Franco terá quase 10% da empresa que será criada. 


A B5 contratou uma empresa de marketing que será responsável pela escolha do nome da nova empresa. "Estamos escolhendo um novo nome para ter um grande impacto no mercado", afirmou Junqueira Franco. Até ser concluída a fusão, a nova empresa continuará sendo administrada pelos diretores das duas usinas. O novo corpo diretivo será definido depois de concluída a fusão. 


A nova companhia nasce com um faturamento previsto em R$ 1,5 bilhão na safra 2007/08. O processamento de cana alcançará entre 18 milhões e 20 milhões de toneladas, o que a consolidará como a segunda maior empresa sucroalcooleira do país, atrás do Grupo Cosan. Até o fim do ano, a nova empresa também deverá abrir o capital, processo que, segundo Junqueira Franco, está em andamento. O grupo não descarta a entrada de fundos de investimentos na composição da companhia. 


Os projetos da nova empresa incluem a construção de seis novas usinas, duas delas já em obras. O projeto todo soma cerca de R$ 1 bilhão, segundo Junqueira Franco. 


A fusão entre as duas companhias tinha sido anunciada no ano passado, mas ganhou agilidade a partir do fim de janeiro último, quando a Cosan fez uma oferta para comprar a maioria das ações da Vale do Rosário. 


A proposta feita pela Cosan previa a aquisição de 50,02% do controle da empresa. Os planos da Cosan, contudo, foram frustrados, uma vez que a direção da Vale do Rosário se mobilizou e conseguiu um financiamento de R$ 1,35 bilhão do Bradesco para exercer o direito de preferência pela compra dessas ações nas mesmas condições apresentadas pela Cosan. 


Além da Cosan, a Vale do Rosário foi assediada pelas multinacionais Bunge e Cargill e alguns fundos de investimentos, como o GG, do ex-ministro Antonio Kandir, e a Gávea, do ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga. 


A oferta pela compra dessas ações desencadeou a saída da maior parte dos acionistas da Vale. Fundada em 1964 por um grupo de pequenos agricultores, a Vale do Rosário tinha como principais acionistas individuais o empresário Luiz Biagi e Cícero Junqueira Franco, que juntos possuíam quase 20% de participação e mantiveram-se na empresa. Em 27 de fevereiro, 72 acionistas venderam suas ações. 


Para Pedro de Camargo Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), neto de um dos fundadores da Vale e um dos acionistas que decidiram vender as ações, não havia outro caminho, a não a fusão, para a sobrevivência da usina. "Eram muitos acionistas e não havia governança corporativa. Embora a Vale do Rosário tenha tido um passado brilhante, o futuro era sombrio", afirmou. 


O processo de união das duas gigantes começou a ser assessorado pelos bancos ING e Rabobank, responsáveis pela parte contábil, e pelos escritórios de advocacia Pinheiro Neto e Arnold Wald e Associados. Até a próxima semana, os atuais acionistas ainda podem exercer o direito de preferência pelo aumento de capital da empresa. (Colaborou Fernando Lopes) 

MONICA SCARAMUZZO