Safra de grãos tem previsão de 15% de aumento este ano

18/06/2007

Safra de grãos tem previsão de 15% de aumento este ano

Este ano, a safra brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas pode chegar a 135,1 milhões de toneladas, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na semana passada. A região Sul do País aparece com maior volume em toneladas (60,5 milhões), seguida do CentroOeste (44,5 milhões), Sudeste (16 milhões), Nordeste (11 milhões) e Norte (3 milhões).

A previsão está 15,5% acima da produção do ano passado, que foi de 117 milhões de toneladas. Também, representa 2,2% superior à estimativa de abril, avaliada em 132,3 milhões de toneladas.
A área plantada é 0,2% acima da colhida em 2006, com cerca de 45,6 milhões de hectares. Entre os produtos destacam-se soja e milho (1ª safra), com respectivamente 20,5 e 9,4 milhões de hectares em 2007.

ESTOQUES DE GRÃOS – A Pesquisa de Estoques do segundo semestre de 2006 indica que a quantidade de grãos em 31 de dezembro de 2006 era superior a 12,8 milhões de toneladas. Os maiores estoques registrados nesta data foram os de milho em grão (4.912.585 toneladas), de soja em grão (3.053.696), trigo em grão (2.646.685), arroz em casca (2.123.622), e café em grão (1.143.307 toneladas). Comparados aos resultados do mesmo período de 2005, os estoques de café e arroz em casca apresentaram variações positivas de 20,6% e 1,8%. Já os estoques de trigo, soja e milho caíram 28,3%, 5,8% e 4,9%, respectivamente. A rede armazenadora de produtos agrícolas em operação no País apresentou um decréscimo de 2,1% em número de estabelecimentos ativos frente ao primeiro semestre.


No final do segundo semestre, a rede contava com 9.228 estabelecimentos ativos, sendo que 42,1% encontravam-se na região Sul, 24,2% na Sudeste, 21,8% na CentroOeste, 8,5% na Nordeste e 3,4% na Norte. O estoque de grãos em 31 de dezembro de 2006 era superior a 12,8 milhões de toneladas. Os silos para grãos apresentaram 42.885.973 toneladas de capacidade útil total no País. Deste total, 55,8% concentraram-se na Região Sul e as regiões Centro-Oeste e Sudeste ficaram com 25,5% e 14,1%, respectivamente.


A capacidade útil das unidades armazenadoras dos tipos de armazéns convencionais, estruturais e infláveis foi de 81.721.655 metros cúbicos. Deste total, pouco mais de 70,0% concentraram-se nas regiões Sul e Sudeste. As unidades armazenadoras dos tipos armazéns graneleiros e granelizados somaram 48.795.180 toneladas de capacidade útil, das quais a região Centro-Oeste deteve 49,1% de capacidade de armazenamento e a Sul, 34,9%.
Esta é a quinta avaliação da safra agrícola do ano, realizada em maio pelo Levantamento Sistemático da Produção Agrícola do IBGE, e aponta um crescimento na estimativa da produção em 19 dos 25 produtos agrícolas pesquisados frente a 2006.


Os destaque são algodão herbáceo em caroço (30,7%), amendoim em casca 2ª safra (14,0%), cacau em amêndoa (0,4%), cana-de-açúcar (12,7%), cebola (2,7%), mamona em baga (50,2%), mandioca (3,0%), milho em grão 1ª safra (17,1%) e 2ª safra (43,8%), soja em grão (11,7%), trigo em grão (62,3%) e triticale (3,3%).

Produção brasileira precisa de mais áreas de armazenagem

Com a previsão de safra recorde, técnicos do IBGE alertam para a necessidade de investimentos em infra-estrutura para armazenamento. Assim pensa o chefe de coordenação de Agropecuária do instituto, Flávio Bolliger, citando que a produção armazenada brasileira média é de apenas 10%. “Um valor considerado baixo, diante dos estoques armazenados em países desenvolvidos”, cita.

Flávio Bolliger observa que esse percentual mostra a dificuldade que os pequenos produtores têm para estocar seus produtos, “e também uma menor participação do Estado, que tradicionalmente comprava mais a produção”. De acordo com o técnico, esse papel hoje “é desenvolvido em grande parte pela iniciativa privada”.

De acordo com a Pesquisa de Estoques referente ao segundo semestre de 2006, também divulgada na semana passada, os maiores estoques registrados foram de milho em grão, soja em grão, trigo em grão, arroz em casca e café em grão, nesta ordem. O crescimento na estocagem do café, em relação ao segundo semestre de 2005, foi o de maior destaque, com alta de 20,6%.
Já o estoque de trigo apresentou queda de 28,3%.

O estudo do IBGE indica que houve uma redução de 2,1% no número de estabelecimentos de estocagem na comparação entre o segundo e o primeiro semestre do ano passado. O instituto também apurou que no final de 2006 havia mais de 12,8 milhões de toneladas de grãos estocados, em cerca de 9.228 estabelecimentos.

De acordo com Flávio Bollinger, a Região Sul concentra cerca de 42% das redes de armazenamento e é a mais bem atendida. Já a Região Centro-Oeste registra apenas 21,8% das redes de armazenamento, e estão mal distribuídos, segundo o técnico do IBGE. "A infra-estrutura de estocagem de Estados como o Mato Grosso do Sul fica aquém da sua capacidade de produção. Isso resulta em armazenamentos a céu aberto ou postergação da colheita, o que gera perda de quantidade e qualidade da produção”, disse Flávio Bollinger, em entrevista à Agência Brasil.

ARI DONATO