Pescadores e marisqueiras têm apoio
EBDA dá assistência técnica, capacita e elabora planos de crédito para famílias na Baía de Camamu
Verdadeiro paraíso ecológico, com belas praias e uma grande variedade de frutos do mar, a Baía de Camamu é também um espaço de contrastes. De um lado, a possibilidade de um maior retorno econômico para os que vivem da pesca e do artesanato na região. Do outro, o elevado índice de pobreza, a falta de incentivo às raízes culturais das aldeias de pescadores e às atividades produtivas da região.
A Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), por meio do seu escritório em Camamu, vem incentivando a pesca na região, prestando assistência técnica, capacitando e elaborando planos de crédito para 600 famílias de pescadores artesanais e marisqueiras.
Só este ano, as famílias, organizadas em três associações e três colônias de pesca (Maraú, Igrapiúna e Camamu), foram beneficiadas com crédito de R$ 900 mil para a compra de materiais e equipamentos necessários às suas atividades. Com isso, 1,5 mil novos empregos foram gerados.
"O que presenciamos na região é o fortalecimento da pesca artesanal, como atividade geradora de ocupação e de renda para as famílias", disse a chefe do escritório da EBDA em Camamu, Ana Cristina Santos, destacando os trabalhos da empresa para o crescimento da pesca.
Cursos –
"A EBDA vem ministrando cursos de capacitação para melhorar o padrão tecnológico das atividades dos pescadores e possibilitar o aumento de renda das famílias", afirmou Ana Cristina.Filetamento de peixe, processamento e beneficiamento de pescado, salga seca e úmida, congelamento, defumação, embutidos, embalagem, higiene e comercialização serão explicados pelos técnicos em cursos de 40 horas semanais.
De acordo com Ana Cristina, com os recursos adquiridos, assistência técnica continuada e capacitação, a expectativa é que essas famílias saiam da linha de pobreza e tenham uma renda familiar acima de R$ 3 mil/ano.
Os técnicos da EBDA também orientam sobre a regularização dos documentos dos pescadores e marisqueiras, promovendo o exercício da cidadania na região. Todo o trabalho é realizado em parceria com as colônias de pesca, com o Banco do Nordeste e com o Programa de Financiamento da Agricultura Familiar (Pronaf).
Terceira maior do país
Localizada entre Salvador e Ilhéus, a Baía de Camamu é a terceira maior da costa brasileira – menor apenas que a Baía de Todos os Santos e a Baía de Guanabara. Mesmo com a chegada do turismo e de indústrias à região, Camamu ainda tem em seus extensos manguezais a principal fonte de sustento de muitas famílias, que não abandonaram a pesca artesanal praticada por seus antepassados.
As famílias que vivem da pesca trabalham com poucas canoas. Geralmente saem para pescar cinco pessoas em uma canoa (um integrante de cada família), com resultados precários. A esperança dessas famílias é comprar a própria canoa e seus equipamentos para aumentar a produção e a renda.