Alta do trigo pode encarecer o pão
A alta nos preços do milho e da soja no mercado internacional está levando, na carona, o preço do trigo. Como 70% do trigo que é consumido no Brasil é importado, isso traz reflexos para os brasileiros que podem ter que arcar com aumentos de produtos indispensáveis na mesa, como pão e biscoitos.
Embora a grande parte do trigo que chega ao mercado nacional venha da vizinha Argentina, este ano, a situação poderá mudar. Segundo o coordenador-geral da Secretária de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Sílvio Farnese, está havendo um consumo maior do trigo no mundo, e isso está elevando o preço desta commoditie. “Como a Argentina tem acordo com outros países, é possível que tenhamos que importar da Austrália e dos Estados Unidos”, disse Farnese.
Ele explicou que, embora a produção nacional esteja próxima da metade do que é consumido no total pelos brasileiros, os moinhos preferem importar o trigo da Argentina em função de uma melhor logística. “Além do acordo do Mercosul, o trigo argentino chega ao mercado brasileiro com mais facilidade e com um custo menor para a indústria brasileira”, explica Sílvio Farnese.
Pode parecer estranho, mas a explicação é simples. Os maiores produtores estão nos Estados do Paraná e Rio Grande do Sul, e, para transportar essa produção para os demais Estados, somente de caminhão, o que eleva em muito o custo da carga, conforme explicou o coordenadorgeral da Secretaria de Política Agrícola. Além disso, Farnese explica que os donos de moinhos já possuem uma logística própria e acabam importando diretamente do produtor argentino. “Os moinhos têm uma logística de importação mais barata do que se adquirissem no mercado interno”, afirmou.
CLIMA – O trigo é característico do clima temperado, o que dificulta a qualidade do produto que é produzido no Brasil, segundo informou Farnese. Alguns Estados, como Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e Bahia, também estão cultivando o trigo, mas, segundo Farnese, a produção ainda é irrelevante. Para se ter uma idéia dos preços no mercado internacional, em março de 2006, a tonelada do produto estava cotada em US$ 147. Ontem, este valor chegava a US$ 184.
Farnese disse ainda que o Brasil será dependente por muito mais tempo dos produtores estrangeiros. Os testes feitos na Região CentroOeste mostraram que a produção local pode chegar a um milhão de toneladas, mas, conforme explicou Farnese, não terá preço competitivo. “Vai chegar mais caro do que o argentino”, garantiu.
Para o presidente do Sindicato das Indústrias de Panificação do Estado da Bahia, Mário Pithon, o mercado baiano ainda não sofreu o reflexo do aumento do trigo no mercado internacional. “O que existe é um movimento especulativo dos moinhos para aumentar o preço da farinha de trigo, e quem sobra é o panificador, porque nem sempre pode repassar para o consumidor final”, disse. Pithon afirma que os panificadores preferem a farinha importada, porque a qualidade do produto nacional é ainda muito ruim.