Braskem vai usar etanol para produzir plásticos
O investimento no etanol como substituto dos combustíveis fósseis deverá ser estratégico para a Braskem nos próximos anos. A aposta mais ambiciosa da companhia é a produção pioneira do polietileno – resina usada na produção de plásticos – a partir do combustível renovável. A meta da petroquímica é produzir entre 100 mil e 200 mil toneladas do insumo ecologicamente correto até o final de 2009 – ante a uma produção atual de 1,8 milhão de toneladas anuais do insumo obtidos dos derivados de petróleo.
O anúncio foi feito ontem pelo presidente da companhia, José Carlos Grubisich, em coletiva à imprensa, em São Paulo. A empresa, líder no setor na América latina, é pioneira no mercado mundial em relação ao “polietileno verde”, desenvolvido no Centro Tecnológico da companhia em Triunfo, no Rio Grande do Sul. A iniciativa demandou investimentos de US$ 5 milhões, realizados desde 2005, numa planta piloto, que já produz o insumo em escala experimental.
O pioneirismo em relação ao polietileno obtido a partir da canade-açúcar foi confirmado pela certificação da Beta Analytic, um dos principais laboratórios internacionais. O polietileno é o polímero mais usado no mundo, constituindo-se em matéria-prima básica para a indústria do plástico, o que abrange desde embalagens flexíveis, frascos para cosméticos, até peças para a indústria automobilística.
“O polietileno obtido do combustível verde tem qualidade e desempenho equivalente ao similar ao originado partir dos combustíveis fósseis”, observa Grubisich. Outra vantagem competitiva é que o insumo pode ser usado imediatamente nos equipamentos dos clientes da petroquímica, sem necessidade de investimentos em adaptações, acrescenta.
PREÇO CARO – Apesar das perspectivas promissoras, o “polietileno verde” ainda perde no quesito preço, quando comparado aos polímeros obtidos do petróleo e gás natural, pois chega a custar até 20% mais caro, em relação ao produto convencional. Ainda assim, os clientes da Braskem na Europa e Ásia estariam dispostos a bancar a diferença, por conta da atual mudança da matriz energética mundial, dada a tendência de substituição dos combustíveis fósseis pelos renováveis, apontam os estudos do conglomerado baiano.
A fim de alavancar o mercado para o novo produto, a Braskem está enviando amostras do polímero para os atuais clientes e parceiros potenciais, a fim de abrir o apetite do mercado para o polietileno obtido a partir do combustível da cana. A eficiência do etanol para a produção do polímero verde é demonstrada a partir do índice de conversão do combustível para o polietileno, que alcançaria cerca de 99%, de acordo com informações da petroquímica.
O próximo passo para a fabricação do “polietileno verde” em escala industrial é a análise do projeto, tarefa que fica a cargo do conselho de administração da empresa. A avaliação deverá resultar na determinação do porte e local para a instalação da fábrica, tendo em vista que a Braskem não pretende adaptar as suas 18 plantas instaladas no País para produzir a nova vertente do polímero, mas construir uma nova unidade, a fim de obter o material.
CAMAÇARI – A localização e o porte do site, ainda em fase de projeto, não foram definidos pela companhia, embora o Pólo Petroquímico de Camaçari tenha sido citado como uma das alternativas de sede para o novo investimento, que demandaria recursos estimados entre US$ 60 milhões e US$ 100 milhões.
Os investimentos da Braskem no mercado de combustíveis renováveis ainda vão além do “polietileno verde”. A empresa está substituindo, na unidade do Pólo de Camaçari, a produção de MetilTércio-ButilEgrave;ter (MTBE), pelo ETBE, obtido a partir do etanol. O ETBE é equivalente ao MTBE, mas com menor impacto no meio ambiente, sendo insumo básico para a cadeia produtiva da gasolina. É usado com a finalidade de aumentar a octanagem do combustível. A mudança deve ser efetivada no ano que vem.
“Estamos trabalhando com um conceito de desenvolvimento sustentável, a fim de reduzir emissão de CO2 e de outros gases que provoquem o efeito estufa”, avalia. O executivo aposta no incremento da competitividade do etanol brasileiro, com a perspectiva de refinar 18 bilhões de litros de etanol apenas este ano.