Grupo Aplub vende seguradora
O setor de seguros começou a mudar. As novas regras, que exigem maiores investimentos e aportes nas seguradoras, já influenciam as estratégias das companhias. O Grupo Aplub, que atua forte na região Sul e é um dos maiores do país em previdência complementar, resolveu vender sua seguradora e concentrar suas operações em capitalização e previdência. Para oferecer seguros, fechou parceria com duas grandes seguradoras, Ace e Indiana.
A Aplub, criada em 1964 como um associação de estudantes universitários do Rio Grande do Sul, era dona da seguradora Previdência do Sul, com cerca de 500 mil segurados. A empresa foi esvaziada e vendida para o grupo paranaense Consulfac. A família pagou R$ 30 milhões para ficar com nome da seguradora e a licença para operar. A Aplub estava com a previdência desde 1973 quando a comprou da SulAmérica.
"Ninguém é tão bom em tudo", diz Marcelo Cabelleira diretor da Aplub Afinidade. "O mercado exige cada vez velocidade maior na emissão das apólices. Por isso, optamos por entregar nossa carteira a parceiros", diz o executivo. Ele conta que o grupo teve que tirar dinheiro do caixa para fazer face as novas exigências de que as reservas técnicas têm que ter liquidez e não podem ficar só em ativos.
As seguradoras escolhidas foram a Indiana (seguro de autos e patrimoniais), e a Ace (seguros de afinidades voltados para acidentes pessoais e bens pessoais). Segundo o executivo, o acordo também prevê que as duas seguradoras comercializem produtos da Aplub e, com isso, a empresa pode ampliar seu mercado. A Indiana já vende os títulos de capitalização da Aplub para outros parceiros, como a Volkswagen, conta Jorge Martinez, diretor da seguradora.
Marcus Vinícius, responsável pela unidade da Ace em Porto Alegre, a parceria está dentro da estratégia da seguradora de atingir o grande público por meio de parcerias com empresas. A Ace tem 4 milhões de clientes e faturou R$ 560 milhões em 2006.
As operações de capitalização são uma das que mais crescem na Aplub. O faturamento este ano deve chegar perto de R$ 60 milhões. No ano passado, aumentou 160%, para R$ 38 milhões. Em 2003, eram R$ 14 milhões. Para vender os títulos, a Aplub buscou parceiros como Mapfre, Nossa Caixa e Citibank. "A idéia agora é fazer o mesmo com a previdência", diz.
Nas operações de previdência privada, a Aplub é a entidade do setor que mais pagou benefícios em 2006, com R$ 33,2 milhões, excluindo as companhias ligadas a bancos. O grupo conta também com uma empresa de crédito educativo e a Aplub Agro-Florestal Amazônia, detentora de uma área florestal na região. Por 15 anos patrocinou o Internacional.
Para os especialistas, movimentos como o da Aplub, que passou a se especializar em alguns nichos tendem a acontecer com maior frequência agora, por causa das regras mais rígidas para o setor. "A tendência é ter menor número de seguradoras, atuando em nichos específicos", avalia o executivo da Ace. O país tem hoje 120 seguradoras.
O Solvência II, da Superintendência de Seguros Privados (Susep), exige dobrou o capital mínimo para a seguradora, de R$ 7,2 milhões para R$ 15 milhões. Além disso, vai exigir aportes adicionais conforme a área de atuação da seguradora no país e o tipo de produto que operar. As empresas terão três anos para o ajuste.
ALTAMIRO SILVA JÚNIOR