Em busca de um produto mais forte no mercado

25/06/2007

Em busca de um produto mais forte no mercado

A Associação Brasileira do Novilho Precoce (ABNP) lançou, oficialmente, a norma que regulamenta a definição de novilho precoce, elaborada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Pela nova determinação, o novilho precoce – animais de até 30 meses de idade em condições de peso e conformação para abate – será a base da produção da carne bovina de qualidade.


O presidente da ABNP, Constantino Ajimasto Jr., está comemorando o resultado, que, disse, coroa os trabalhos realizados pela entidade desde 2003 para estabelecer normas de produção e conduta do novilho precoce, a fim de melhorar a criação nacional e tornar o Brasil um país ainda mais competitivo mundialmente. Entre os principais pontos da norma estão definições que tratam da cobertura de gordura (a espessura deve estar entre 3 mm e 10 mm na região dorso-lombar, na altura da 12ª costela), sexo (fêmea, macho inteiro, macho castrado), cronologia dentária (machos castrados e fêmeas devem ter no máximo 4 dentes incisivos permanentes e machos inteiros devem ter somente dente de leite, ou seja, ausência de dentes incisivos permanentes) e peso mínimo da carcaça (190 kg para fêmea e 240 kg para macho inteiro e macho castrado).


Segundo o presidente da ABNP, o projeto compreende a edição de três normas que se complementam. A primeira, já homologada, trata da definição do novilho precoce por meio da classificação da carcaça. A segunda, em discussão em um grupo de trabalho, trata das boas práticas de produção, isto é, como produzir o novilho precoce, usando como base manuais e certificações já existentes e reconhecidos internacionalmente. A terceira, que deverá ser editada em 2008, trata da tipificação da carcaça e dos cortes da carne.


O projeto da norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas ficou sob consulta pública por cerca de 60 dias. Ao final desse período, foi aprovado sem restrições, tendo sido acessado por centenas de pessoas de vários segmentos da cadeia, que concordaram com as características e definições. “Lutamos por essa normativa, pois enxergamos nela uma opção séria, técnica e clara de fazer o produtor ser mais bem remunerado”, disse Constantino Ajimasto, ressaltando que a normatização é uma importante ferramenta para atingir a certificação.


“Temos de unir as fazendas certificadas para produzir carne competitiva e de qualidade, proporcionandolhes melhor retorno econômico. Estimativas apontam que mais de 1/3 dos bovinos abatidos anualmente no Brasil (45 milhões de cabeças) podem ser considerados novilhos precoces”, ressaltou. Para o presidente da ABNP, a criação da norma no âmbito do sistema metrológico brasileiro, que envolve a ABNT e o Inmetro, tem propósitos claros no sentido de facilitar a exportação da carne brasileira, quebrar barreiras comerciais e evitar a imposição de normas externas, a exemplo da Eurepgap.

NORMA DO LEITE – No dia 1° de julho, começa a implantação da Instrução Normativa 51, em todo o Norte e Nordeste do País, que estabelece novos padrões para a comercialização do leite. O tanque refrigerador, por exemplo, passa a ser um equipamento obrigatório para o pequeno e médio produtor, já que está proibida a venda de leite sem resfriamento.

Na avaliação do gerente da WestfaliaSurge, empresa de tecnologias para a pecuária leiteira, Evandro Schilling, em São Paulo, a comercialização de produtos de pecuária de leite deve aumentar. “O mercado está em crescimento, os preços aumentando e o produtor otimista e investindo em profissionalização”, afirma.