Projeto pesquisará adoçante de sisal

25/06/2007

Projeto pesquisará adoçante de sisal

Produto será extraído do resíduo líquido da fibra utilizada também na produção de bioinseticida e parasiticida

Um projeto da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) pretende retirar do sisal uma substância que poderá ser utilizada como adoçante dietético pela indústria alimentícia.

O projeto, que também terá foco na produção de um bioinseticida e parasiticida, foi abordado ontem numa reunião na Secti com representantes da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea).

A idéia é que o projeto seja desenvolvido em parceria com universidades e centros de pesquisa durante quatro anos, na região do sisal, no semi-árido baiano.

De acordo com o engenheiro químico Adalberto Luiz Cantalino, coordenador da Secti, o projeto está tramitando no Fundo Comum de Commodities da FAO, para que possa ser financiado pela instituição.

Ele explicou que o adoçante será extraído do resíduo líquido do sisal. "Hoje este suco é descartado no campo e representa cerca de 80% do peso da folha de sisal", afirmou.

O adoçante extraído do sisal é a inulina, um produto de origem natural que pode ser utilizado em substituição ao açúcar na indústria alimentícia e farmacêutica e não é absorvido pelo organismo. Ou seja, é uma solução natural para a substituição dos ciclamatos utilizados na indústria dos dietéticos.

Combate a pragas

– Outro produto que o projeto pretende desenvolver é um bioinseticida natural para combater pragas na agricultura. "Num projeto anterior, financiado pela Fapesb e Finep, foi descoberto que o suco do sisal in natura atua como inseticida no combate a pragas do plantio de algodão", explicou Cantalino.

Mas esse suco começa a fermentar dois dias após sua extração e possui elevado teor de água, o que inviabiliza sua produção comercial.

"A idéia é extrair o seu principio ativo e acondicioná-lo, para que tenha um tempo mais longo de vida útil e maior efetividade", disse o pesquisador. A vantagem do produto em relação aos inseticidas disponíveis no mercado é a ausência de drogas químicas nocivas ao meio ambiente e ao ser humano.

O projeto também prevê a produção de um parasiticida para combater pragas comuns em ovinos, bovinos e caprinos.

Apresentação de programas

Na reunião, o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Ildes Ferreira, apresentou alguns dos principais programas e ações da Secti, como a implantação do Parque Tecnológico de Salvador, o Programa de Inclusão Sociodigital, o Programa de Apoio a Arranjos Produtivos Locais e o Programa Baiano de Produção e Uso do Biodiesel.

"Este foi o primeiro passo para identificarmos possíveis áreas de trabalho em conjunto", avaliou Ferreira.

Segundo o representante da FAO no Brasil, José Tubino, a organização é especializada em temas agrícolas, ambientais e no desenvolvimento rural sustentável.

Ele explicou que, em relação à questão tecnológica, os interesses são direcionados para as áreas de biotecnologia e bioenergia. "O Brasil possui vantagens comparativas notáveis em relação ao resto do mundo nas questões da bioenergia", disse.

Preocupação com bioenergia

O presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, Carlos Eduardo Leite, demonstrou preocupação na cadeia produtiva da bioenergia como substituta na produção de alimentos.

"A indústria do etanol cresceu de forma desenfreada e o governo brasileiro não conseguiu criar ainda uma regulamentação eficiente para este avanço", observou.

Ele disse que, como a indústria do biocombustível ainda está em fase inicial no Brasil, o governo possui condições de regular sua implantação para que não crie dificuldades na produção de alimentos.

O Consea atua na formulação de políticas e na definição de orientações para que o país garanta o direito humano à alimentação.