Perdigão e Unilever fazem parceria
Joint-venture formada pelas duas companhias começa pela área de refrigerados. A Perdigão e a Unilever anunciaram ontem a formação de uma joint-venture com a integração da área de margarinas e que pode se estender a outros produtos. Funcionários das duas empresas começam a estudar produtos de sinergia. Os presidentes das companhias confirmaram que a associação, inicialmente no Brasil, pode vir a ser mundial. Com o anúncio, as ações da Perdigão valorizaram-se 1,42%.
Juntas, a Perdigão e a Unilever no Brasil faturaram, em 2006, R$ 15,6 bilhões. Além da parceria, a Perdigão comprou por R$ 77 milhões as marcas Doriana, Claybon e Delicata e o maquinário da fábrica de Valinhos (SP); assumiu ainda a produção e distribuição da margarina Becel. O contrato de comodato da planta é de 15 anos. "Não temos parcerias semelhantes em outros países, mas pode servir de inspiração. Não é à-toa que somos a terceira companhia da Unilever no mundo", diz Vinicius Prianti, presidente da Unilever.
O negócio de margarinas movimenta R$ 1,5 bilhão no País e a Unilever detinha 20% - frente a 30% da Sadia, concorrente da Perdigão. As negociações começaram em dezembro, a partir da procura da Unilever. "Precisávamos de escala e achamos que a Perdigão, com sua distribuição, terá maior capacidade para ampliar a escala. Estamos unindo esforços para fazer melhor e ter menor custo".
Na prática, a Perdigão incorpora as margarinas da Unilever, já que responderá pela produção. "A Perdigão se torna mais forte, reforçando sua posição no mercado; e a Unilever se concentra em outros segmentos", avalia o economista Fábio Silveira, da RC Consultores. Para José Vicente Ferraz, diretor da AgraFNP, talvez a Unilever queira se desfazer dos refrigerados. "A Perdigão tem distribuição, que a Unilever tem dificuldade. Há um ganho de eficiência", afirma Raul Beer, da PricewaterhouseCoopers.
O investimento faz parte do plano estratégico da Perdigão, que em 2006 obteve R$ 800 milhões com a abertura de capital, a serem aplicados também em lácteos, bovinos e na internacionalização. A empresa já gastou R$ 340 milhões. O presidente da Perdigão, Nildemar Secches, acha pouco provável que todo o restante seja aplicado até o final do ano. "A área de margarinas faz parte da diversificação de riscos. Além disso, vamos utilizar a competência na distribuição de refrigerados", diz Secches. A empresa tinha orçado R$ 80 milhões para a construção de uma unidade de margarinas. Para os próximos dois anos ele não espera investir na ampliação da capacidade industrial de margarinas, mas deve fazê-lo até 2011.
Secches diz que com a compra e a joint-venture, a empresa entra no segmento de margarinas, apesar de ter uma produção terceirizada no Paraná. "Era um laboratório", diz. Segundo ele, a companhia não vai se desfazer das outras marcas: Borella e Turma da Mônica. Prianti acrescenta que a parceria possibilita a expansão da Becel, com custo baixo, devido ao sistema de distribuição da Perdigão.
Na joint-venture, cada empresa será remunerada pelo seu ativo e o lucro dividido. A Unilever fornecerá a tecnologia em alimentos funcionais e a Perdigão ficará encarregada da produção e distribuição. Os 300 funcionários da fábrica de margarinas seguem na Unilever, mas com os custos repassados à Perdigão.
Segundo fontes, o segmento de foods da Unilever não tem sido lucrativo. Prianti admite problemas, mas garante que a parceria possibilitará investimentos em inovação neste portfólio. "Nos próximos 18 meses a Unilever será reconhecida em alimentos do mesmo modo que é em outros segmentos", diz. "A parceria vai acelerar a expansão das duas companhias", diz Secches. Ele não acredita em problemas como no caso de trading BRF, formada pela Sadia e Perdigão e encerrada em 2002.
NEILA BALDI E WILSON GOTARDELLO FILHO