Angra 3 poderá ter nova licitação de equipamentos

29/06/2007

Angra 3 poderá ter nova licitação de equipamentos


A revisão do contrato da Eletronuclear com a fabricante Areva para fornecimento de equipamentos para a usina nuclear Angra 3 poderá caminhar para uma nova licitação, caso a empresa estatal considere que é possível conseguir preços menores, segundo Leonam dos Santos Guimarães, assistente da presidência da Eletronuclear. 


Ele ressalva, no entanto, que não existe nada negociado com a Areva até o momento. "É um tema em aberto, e uma nova licitação poderá ser pensada, caso seja recomendável buscar um preço mais baixo do que o que será negociado. A base de preço é muito antiga, mas não esperamos que varie muito", diz o executivo da estatal. 


A hipótese de nova licitação não foi levada à negociação, segundo o diretor-executivo da Areva, Johannes Höbart. Ele diz que as empresas já vêm negociando há 20 anos e que não há motivos para uma mudança de postura da Eletronuclear. "O contrato existe e é válido", diz. 


A parcela mais significativa desse contrato de R$ 2,2 milhões é para a compra de equipamentos de controle, inicialmente analógicos, mas que agora deverão ser digitais. A previsão inicial era de importação dos equipamentos, mas agora isso poderá ser mudado. Segundo Höbart, da Areva, a indústria nacional de equipamentos nucleares cresceu desde a época do contrato, em 1976, e por isso alguns itens poderão ser comprados no Brasil. 


"Está em discussão o que será mais moderno, ou será nacional, mas ainda não temos valores, estamos esperando primeiro a demanda da Eletronuclear", diz o executivo. Ele conta que a renegociação já havia sido retomada em 2003, mas a falta de condições definitivas fez com que pouco avançasse até então. 


A Eletronuclear já havia informado que renegociará o contrato com a Andrade Gutierrez, celebrado na década de 1980, para as obras civis de Angra 3, para mudanças dos valores, e que lançará novas licitações para comprar componentes mecânicos da usina, como vasos, tanques, trocadores de calor, sistemas de ventilação. 


Guimarães, da Eletronuclear, esteve presente ontem em um seminário sobre energia nuclear promovido pelo Instituto de Engenharia, em São Paulo, e diz que ainda é cedo para falar de projetos de novas usinas apesar de o Plano Nacional de Energia, divulgado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do governo federal, ter indicado que até 2030 será necessária a construção de mais quatro usinas nucleares com potência de 1000 MW cada, duas no Nordeste e duas no Sudeste. "O plano precisa ser aprovado primeiro, para depois começarmos a nos basear nele." 


Apesar de não haver lugares certos para a implementação de novas usinas, o plano indica que características eles devem ter, entre as quais, ser próximo de um centro de consumo e de redes de transmissão, possuir recursos hídricos em abundância e ser despovoado. A região entre os Estados do Sergipe e de Alagoas e o Baixo Tietê se enquadram nesse perfil, segundo Guimarães. "São potenciais candidatos, mas estamos falando de um horizonte de trabalho de dez anos, projetos ainda não foram pensados, é uma discussão muito preliminar", diz. 


Sobre um possível aquecimento no mercado de energia nuclear com o investimento nas quatro usinas sugeridas pela EPE, Antonio Muller, presidente da Associação Brasileira para Desenvolvimento de Atividades Nucleares (Abdan), diz que poderá haver falta de mão-de-obra qualificada. para trabalhar nesses projetos. "É um segmento que ficou muito tempo parado, falta desenvolver qualificação em recursos humanos." 

SAMANTHA MAIA