O Vale do São Francisco deve se transformar em uma das novas fronteiras do etanol no país. Estudos técnicos já estão sendo realizados para implantação de projetos em toda a região, que envolvem, além da Bahia, os estados de Pernambuco e Minas Gerais. Eles poderão proporcionar bilhões em investimentos e geração de milhares de postos de trabalho no semi-árido.
Um dos maiores projetos de irrigação do país, do Baixio de Irecê, no noroeste baiano, vai demandar investimentos de mais de R$2 bilhões. Os estudos para a concessão, através de uma Parceria Público-Privada (PPP), já estão em análise pelo Banco Mundial (Bird), que até o mês de setembro deve dar uma posição sobre a proposta. Eles foram realizados pelo consórcio formado pela Codeverde – empresa liderada pelo Grupo Odebrecht – e a estatal líbia Lafico – Libyan Arab Foreign Investiments. “Se mantido todo o encaminhamento, estaremos na disputa. Mas, além disso, são necessários investimentos em infra-estrutura na região”, afirmou Júlio Perdigão, superintendente da Coderverde.
A Companhia de Desenvolvimento do Vale do Rio São Francisco (Codevasf) possui um acordo técnico com a trading japonesa Itochu Corporation e com a Companhia de Produção Agrícola (Campo). O objetivo é impulsionar a produção de álcool e também de biodiesel para o mercado japonês. O acordo prevê o desenvolvimento de áreas de irrigação que podem abranger 300 mil hectares às margens dos rios São Francisco e Parnaíba. Da mesma forma que a Codeverde, a Itochu ficará encarregada de fazer os estudos técnicos dos projetos. Aqueles que tiverem a viabilidade comprovada serão licitados. Se a japonesa vencer a disputa, segundo a companhia, o valor gasto com os estudos será contabilizado como investimento. Caso outra companhia ganhe, a Itochu será ressarcida pelo consórcio vencedor.
A Itochu também assinou recentemente com a Petrobras, em Tóquio, memorando de entendimentos para avaliar o potencial de produção de bioetanol, biodiesel e bioeletricidade, a partir da cana-de-açúcar e oleaginosas na região denominada Canal do Sertão, nos estados da Bahia e Pernambuco. A área totaliza 150 mil hectares, e abrange 16 municípios.
Já a baiana Agrovale, que já aposta na cana irrigada no município de Juazeiro, pretende investir até R$450 milhões nos próximos dez anos. A previsão da empresa, divulgada desde o início do ano, é que até 2011 a sua área irrigada, hoje de 16,5 mil, pule para 21 mil hectares. Dessa forma, será possível elevar a capacidade de moagem de cana para 2,2 milhões de toneladas anuais. Os planos são audaciosos, e incluem a possibilidade de instalação de uma nova unidade na região e de implantação de uma fábrica de biodiesel.
Odebrecht pretende investir R$5 bi
A Organização Odebrecht pretende diversificar ainda mais sua atuação e investir na produção de álcool e açúcar. Através de uma associação com empresários-parceiros, está sendo criada uma empresa – ainda sem nome – que será focada no setor e que deverá investir até R$5 bilhões nos próximos 10 anos. A meta é estar entre as três líderes do mercado na próxima década.
A associação conta com a participação dos investidores Clayton Hygino de Miranda, Zenilton Rodrigues de Mello, Roger Maynard Haybittle, Eduardo Pereira de Carvalho e Luiz Pereira de Araújo Filho, que já possuem experiência no setor. Eles se juntam à Odebrecht a partir da utilização de ativos de uma usina que já possuem no interior de São Paulo. “O nosso objetivo é atingir uma produção entre 35 a 40 milhões de toneladas de cana processada por ano”, afirmou Carvalho. A média é de um trabalhador para cada duas toneladas, o que pode resultar na geração de mais de 20 mil postos de trabalho.
Clayton Miranda explicou que os planos do grupo podem ser ampliados. A intenção é implantar entre 12 a 15 usinas sucroalcooleiras em várias regiões do país. Atualmente, a meta está focada no oeste paulista, Triângulo Mineiro, sul de Goiás, Mato Grosso do Sul e norte do Paraná.
PEDRO CARVALHO