Ajuda aos pequenos agricultores
Há nove anos, a Cooperativa de Pequenos Produtores e Produtoras Agroecologista do Sul da Bahia ajuda comunidades rurais e assentados na crise da lavoura cacaueira e a preservar a Mata Atlântica. São 450 famílias de pequenos agricultores em oito assentamentos e 19 comunidades, nos municípios de Ilhéus, Uruçuca e Aurelino Leal.
Pelo trabalho, a cooperativa recebeu os prêmios Melhores Práticas em Gestão Local e Melhore s Práticas para Melhorar o Ambiente Vivo, este último com experiências no assentamento Cascata, região rural de Aurelino Leal. Segundo Luís Souto, 46 anos, técnico em agroecologia e gerente executivo da cooperativa, a missão é difundir em cada comunidade visões diferenciadas da agricultura, dando educação ambiental, capacitação em agricultura orgânica e trabalhos em relação a alternativas possíveis de econegócios, aplicadas às suas realidades.
Explica que a prática da agricultura orgânica exclui o uso de produtos químicos e agrotóxicos na adubação do solo e no manejo das plantas. Pó de rocha, cinza, caldas biológicas e biofertilizantes são aplicados como fertilizantes e adubos. "No caso do cacau, o preço é valorizado em 40% no valor de mercado, pois o fruto tem sabor mais refinado e é mais rico em nutrientes”, nutrientes”, diz o dirigente.
"As comunidades e assentamentos desenvolvem a agroindústria e culturas até então sem valor comercial e usadas apenas para sombreamento aos cacaueiros, a exemplo da jaca, banana, manga, cajá e jenipapo, já servem de matériaprima na fabricação de polpa, geléia", exemplifica Luis Souto, dizendo que a cooperativa responde pelo encaminhamento dos produtos ao mercado. Cada comunidade recebe uma cozinha agroindustrial, com desidratador de frutas, fogão industrial e um biodigestor como fonte de produção de energia renovável.
IMPORTÂNCIA – Segundo Durval Libanio, professor de conservação do solo do curso de Agronomia da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) e técnico do Instituto Floresta Viva, a prática da agricultura orgânica vem se mostrando muito importante para a conservação do solo, preservação dos recursos hídricos e para evitar a contaminação das plantas e do próprio solo por agrotóxicos.
A biólogaMaria Adelaide Silva, especialista em agricultura orgânica, relata que esse tipo agricultura, além dos benefícios já conhecidos, ajuda a manter a imagem de uma região que se preocupa com as práticas ecológicas voltadas à agricultura. “Com isso, acarretará valorização da sua produção agrícola manejada a partir desse perfil”, completa a bióloga.
RANDOLPHO GOMES