Raça em franca expansão no oeste

09/07/2007

Raça em franca expansão no Oeste

Com um rebanho de cerca de 100 mil cabeças de ovinos, das quais 90% são da raça Santa Inês, o oeste da Bahia tem boas condições para o desenvolvimento da atividade. A 25ª Exposição Agropecuária de Barreiras, que terminou ontem à noite, endossa as previsões, ao reunir 330 animais geneticamente selecionados, com 150 deles participando de julgamentos.

Foi o segundo ano em que a Associação dos Criadores de Ovinos e Caprinos do Oeste da Bahia realizou o julgamento da raça de ovinos Santa Inês na exposição de Barreiras, o que, na avaliação do presidente da associação, João Carlos Vielmo, tem atraído um número crescente de expositores.

“Temos clima adequado, solo bom para pastagem e estamos próximos a áreas produtoras de grãos, o que diminui os custos com ração entre 15% e 20%, em relação a outras regiões”, afirma João Carlos Vielmo. Mas, para ter animais prontos para abate em 120 e 150 dias, com carcaça entre 15 a 16 quilos, é necessário complementar a alimentação com ração.

Entretanto, destaca que esses gargalos na atividade, o associativismo ou o cooperativismo pode ser a solução. “É preciso desatar alguns nós da cadeia produtiva da comercialização”, diz, exemplificando que, no ano passado, uma rede de churrascarias da cidade do Rio de Janeiro quis fechar negócio apostam na atividade. ”Este é um negócio em franca expansão no Brasil e principalmente no Nordeste", diz Fernandes. Para ele, o principal motivador é a demanda por carne de ovelha e carneiro. "O País ainda importa muito deste produto e nós temos todas as condições de suprir esta procura".

Ex-criador de gado, Leo Pinheiro, da Fazenda Santa Fé, em Senhor do Bonfim, cria ovinos há seis anos. Diz que quando soube que um vizinho havia vendido um carneiro por R$ 18 mil, interessou-se pela a ovinocaprinocultura. "Adquiri as primeiras matrizes, aperfeiçoeime no ramo e, hoje, o grande campeão nacional da raça Santa Inês, o Fenômeno Playboy, avaliado em R$ 2 milhões, é da nossa fazenda", diz orgulhoso.

para compra de 100 animais por dia, mas a região não está preparada para oferecer este volume individualmente por produtor. Criador de ovinos há sete anos, na Fazenda Bom Retiro, município de São Desidério, Rudolfo Sawatzky tem 300 matrizes e diz que precisa aumentar o plantel para mil cabeças para ter retorno viável. Ele defende o associativismo. Na sua avaliação, isso permite ao criador “suprir a necessidade do outro no fornecimento de animais para abate em grandes volumes e atender à demanda do mercado”.

ANIMAIS DE NÍVEL – Há dois anos criando Santa Inês e Anglonubiano na fazenda Agronobre, município de Bom Jesus da Lapa, César Fernandes e Euládio Almeida

Retorno do investimento deixa criadores satisfeitos

O reprodutor Fenômeno Playboy, que atualmente permanece em São Paulo para colheita de sêmen, foi cotizado e a venda de 46% do animal rendeu R$ 882 mil, segundo Leo Pinheiro, que se classifica como um criador de genética e há cinco anos participa da Expobarreiras.

Um outro criador, Josué Leite de Lima, proprietário da Fazenda Santo Antônio, onde cria caprinos, e gerente da Fazenda Reunidas C. Farias, onde há 10 mil matrizes de ovinos, diz que a principal motivação para criar esses pequenos ruminantes está no preço agregado, “que é bem maior que em bovinos”. O retorno do investimento chega a 100% em seis meses, segundo a criadora Andréia Alvim Carvalho, cuja família está no ramo há 20 anos, no município de Ipirá, região de Feira de Santana

MIRIAM HERMES