Suco de uva do Vale do São Francisco
Um suco integral de uva, feito da variedade Isabel e produzido em escala artesanal na Fazenda Garibaldina, no município de Lagoa Grande (PE), será lançado durante a Feira Nacional da Agricultura Irrigada (Fenagri) na próxima semana em Juazeiro. A novidade, que surge em meio a um crescimento da vitivinicultura no Vale do São Francisco, integra um projeto do Grupo Garziera, um dos principais produtores de vinho no semiaacute;rido nordestino e que há mais de 30 anos cultiva uva, manga e maracujá na região.
Plantadas em uma área experimental da fazenda, as uvas Isabel estão a duas semanas de serem colhidas. Com cachos pequenos e em cores azul-escuro e verde-claro, forte, dois tipos da variedade são cultivados para a produção do suco, explica Mábio Dutra, enólogo da Fazenda Garibaldi. “Esta variedade é resistente a pragas e doenças, exige menos tratos cultivares e tem frutos menores e composto mais concentrado”, esclarece Mábio Dutra, informando que os estudos sobre a variedade começaram há seis meses, tendo sido realizados 12 testes, que mostram resultados positivos na utilização da uva para sucos.
Usada para o fabrico de vinhos comuns, a variedade Isabel apresenta custos de plantio e trabalho iguais aos de qualquer uva considerada mais nobre. O composto climático regional permite que a uva tenha duas safras no ano. Isso dá mais confiança ao produtor para investir no plantio e beneficiamento, graças aos poucos “altos e baixos” que possam surgir.
A uva Isabel, igual às outras, é colhida um ano depois de iniciado o plantio e a junção da comum com a modificada tem objetivo de obter um produto final com qualidade superior e almejado pela empresa. “Esperamos que essa junção dê mais equilíbrio com aroma, sabor e acidez”, afirma Mábio Dutra, afirmando que o Brasil é grande exportador de suco de frutas. Apostando no mercado, mesmo sendo a sua produção em escala artesanal, o enólogo ressalta que a escolha da variedade Isabel também se deu por "ser de baixo investimento para manutenção, possibilitando cada vez mais a produção familiar".
TRABALHO INTEGRADO – Cerc a de 20 pequenos produtores arrendaram a terra de Jorge Garziera e são considerados parceiros no projeto de expansão do mercado de uvas no Vale. “Todos os pequenos produtores trabalham em sistema familiar com acordo de 30% da produção destinada à empresa”, informa Jorge Garziera, proprietário da fazenda.
A parceria é festejada pelo empresário, quando afirma que o sucesso dos produtos é uma realidade que tem como base o trabalho integrado e a consciência da força do homem sertanejo dentro do processo de produção. “Chegar a uma terra não significa apenas ocupar espaço, mas possibilitar vida melhor, a partir do que construímos, também para quem é da região e tem, assim como nós, os mesmos desejos de trabalho e resultados”, enfatiza Garziera.
Gaúcho descendente de italianos produtores de uva e vinho em Bento Gonçalves (RS), ele possui 200 hectares irrigados. Conta que desde que chegou à região planta as mais diversas variedades de uva e a nova experiência com suco (por enquanto comercializado com um grupo, em Salvador), deve ser ampliada.
“Ainda não pensamos em escala industrial, mas a ampliação do sistema artesanal com mais gente e mais miniusinas produzindo”, diz o empresário.
Por ser artesanal e de pequena produtividade, chega ao mercado mais caro que outros sucos industrializados.Custa em média R$ 4,50 o vasilhame de 500 ml. Os empresários produtores do suco (que tem o nome Sol do Sertão, dado em homenagem à região), esperam por uma boa aceitação. “Esperamos por uma elevada demanda e que o suco seja adquirido pelos consumidores, não só em lojas de conveniência, para um público específico, mas que tenha um grande consumo”, disse.
O suco de uva que será lançado na Fenagri é diferente dos que já existem no mercado pela cor, pelo gosto doce sem a adição de açúcar, que vem da própria fruta, e é mais condensado que os habituais que ainda precisam diluir em água. Ao ser consumido, a impressão é a de morder uma fruta madura
Roteiro turístico de duas horas, com passeios e degustações
A Vitivinícola Lagoa Grande, que aposta há quase três décadas no cultivo de uva e produção de vinho no Vale do São Francisco, montou estrutura voltada para o turismo. Conhecido pela produção dos vinhos finos Garziera e Carrancas, o grupo está traçando novos caminhos, que passam pela fabricação do suco de uva e vão até o enoturismo, com viagem pela história das vitivinícolas e do avanço tecnológico no segundo pólo produtor de vinhos do País.
Segundo Jorge Garzier a, a idéia é que os visitantes conheçam e degustem as variedades de conceituados e premiados vinhos, a exemplo do tinto jovem Shiraz, criado com uvas de variedades nobres de origem persa, o espumante Moscatel, com método de elaboração típico do norte da Itália, além do Carrancas, nas variedades branco suave, branco seco, tinto suave e tinto seco.
O roteiro do vinho dura duas horas, com passeios e degustações. O enoturismo é um dos destaques da Fenagri 2007, que escolheu o tema “Na rota do vinho” para evidenciar o seguimento, que é crescente em todo o mundo. Colocar o enoturismo como destaque da feira vai dar, segundo Garziera e os organizadores, “um toque especial à Fenagri, associando a realização de negócios com verdadeiros momentos de descontração e prazer”.
FENAGRI – Considerada a maior feira de fruticultura irrigada da América Latina, a Fenagri acontece, alternadamente, a cada ano, em Juazeiro (BA) e Petrolina (PE). Este ano, ocupa uma área de 24 mil metros quadrados na orla nova de Juazeiro e será realizada entre os dias 18 e 21. Na agroindústria, as empresas, os agentes financeiros e todos os expositores vão encontrar espaço para divulgar produtos e serviços, em contato direto com os clientes. São esperados aproximadamente 15 mil visitantes, durante os quatro dias de feira, segundo os organizadores.
PRODUÇÃO
O suco é produzido em uma miniusina seguindo passos: Depois de colhidas, as uvas são levadas a um galpão. Em seguida, tanto para o fabrico do suco, quanto para o de vinho, as uvas são colocadas em cestos, na área de recepção. Em uma sala, os frutos são separados dos cachos, manualmente, por funcionários, para a fase do cozimento. As bagas são colocadas em panelas com capacidade para 20 quilos cada, onde as uvas serão cozidas e, do vapor, extraído o líquido.
O líquido, com 85º C, da parte inferior das panelas é enviado para um outro recipiente e, depois, é engarrafado, para o recebimento do choque térmico. Este choque é em uma banheira com água fria, onde as garrafas ficam por cerca de 10 minutos, para a queda de temperatura, que dá qualidade ao produto. Tiradas do banho de água fria, as garrafas, em número de 70 unidades de cada vez, recebem rótulos e vão para as caixas. Como o suco é 100% natural, não se acrescenta água, açúcar ou qualquer outro produto. As uvas usadas para a extração do suco são retiradas das panelas e colocadas em outras caixas, para serem vendidas a empresas que fabricam vinhos de mesa comuns.
CRISTINA LAURA