Conferencistas pedem que obra seja suspensa

11/07/2007

Conferencistas pedem que obra seja suspensa

Desta vez, a crítica saiu de dentro do governo. A III Conferência Nacional de Segurança Alimentar aprovou, ontem, um pedido para que o governo federal suspenda imediatamente as obras de transposição do Rio São Francisco. Organizada pelo Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea), a conferência tem representantes do governo e da sociedade civil, mas os governistas perderam feio na votação do documento final do encontro.

Por ser um conselho vinculado à Presidência, a distribuição do material sobre a conferência causou uma situação inusitada: o texto para a imprensa divulgando as críticas sobre a transposição foi enviado por um e-mail do próprio Palácio do Planalto. O Consea é formado por um terço de conselheiros do governo e dois terços de conselheiros da sociedade civil e pretende ser um conselho consultivo, que assessora a Presidência da República na formação de políticas de segurança alimentar no País.

Já a conferência, com 1,8 mil delegados, tem uma formação parecida, mas onde o governo tem ainda menor influência. O resultado do encontro, que terminou esta semana em Fortaleza, é uma crítica dura ao projeto que é um dos preferidos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“A gente espera que haja bom senso por parte do governo. Essa é uma posição da sociedade civil representada pelo conselho”, afirma o conselheiro Adriano Martins, da Coordenação Ecumênica de Serviços, que representa sete igrejas cristãs. “É uma vaidade ruim do presidente Lula querer marcar seu mandato por uma grande obra de infra-estrutura, como outros presidentes já fizeram”. A proposta de rejeitar a transposição foi incluída pelo próprio Consea no documento-base da conferência, aberta pelo próprio presidente na semana passada.

LISANDRA PARAGUASSÚ