Aproximadamente duas toneladas de lagosta foram apreendidas ontem pela Polícia Civil, em Canavieiras, extremo sul da Bahia. A suspeita é que o produto, no valor de R$100 mil, tenha sido pescado sem devida licença e com a utilização de redes, o que é proibido por lei. A carga foi encontrada no interior de um caminhão refrigerado da empresa exportadora Netuno S/A, de Pernambuco, e foi adquirida nas mãos do empresário baiano Carlos Alberto Facó.
Uma equipe de técnicos do Instituto Nacional do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) foi chamada para determinar a origem da lagosta. Durante a fiscalização realizada ontem à tarde, foram identificados vestígios de irregularidades em 90% das embarcações utilizadas pelos pescadores locais. No entanto, através de sua assessoria de imprensa, a Netuno, uma das principais do país no ramo de exportação de peixes e mariscos congelados, afirmou que a compra do produto foi realizada dentro da lei.
“Ainda não podemos confirmar nada, pois a investigação prossegue, mas há claros indícios do uso de pesca com rede caçoeira”, revelou a fiscal do Ibama da Unidade de Eunapólis, Maria Inês Mendes. A pesca de lagosta com rede é proibida, pois muitos animais da espécie abaixo do tamanho permitido acabam sendo mortos, além de prejudicar toda a fauna marinha. Hoje os fiscais do órgão federal vão analisar a carga, para saber se o pescado está dentro das normas ambientais.
A polícia chegou à casa do empresário Carlos Alberto Facó, também conhecido como “Gang”, através de uma denúncia anônima, e estranhou o fato de um empresário, que não tem nenhum barco, conseguir reunir tamanha quantidade de lagosta. “Ele trabalha como “atravessador”, comprando dos pescadores e revendendo para grande empresários, que desta forma ficam livres de qualquer acusação de compra de pescado irregular”, explicou o delegado titular de Canavieiras, Marcos Diogenes Maia.
O empresário até o momento não apresentou alvará para estocar o produto, mas alegou que estava agindo dentro da lei e mostrou uma nota fiscal de venda para a empresa Netuno. No documento constava a venda de 1.700kg de lagosta ao preço de R$62 o quilo. “Para ele conseguir tanta lagosta dificilmente os pescadores usaram as armadilhas permitidas. Se foi com rede o negócio virou crime”, alertou Maia.