Produção de mel chega a três toneladas
Fonte de renda de 102 apicultores de Miguel Calmon, atividade é realizada em parceria com a EBDA
No município de Miguel Calmon, a 368 quilômetros de Salvador, a produção de mel registrou a marca anual de três toneladas. O produto é a principal fonte de renda para 102 apicultores da região, 80 deles beneficiados pelo projeto Mel Doce Mel, tocado através de parceria entre a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) e a prefeitura do município.
"Nossa previsão é de aumentar essa produção para cinco toneladas de mel entre 2007 e 2008", disse João Nicolau, técnico rural da EBDA na cidade.
Em Miguel Calmon, já existem 700 colméias instaladas em 20 apiários – um deles a cada três quilômetros. Dez povoados próximos ao município participam do projeto, entre eles as comunidades de Água Branca, Murici, Miragem, Formosa e Mulungu da Serra.
O processamento do produto é realizado na Casa do Mel, instalada em Água Branca e equipada com centrífuga, máquina de decantação e outros aparelhos. O trabalho é feito pelos próprios membros da associação comunitária do povoado.
A partir daí, o mel está pronto para a comercialização. Nas feiras e mercados, o produto é vendido em potes de um quilo (R$ 7) e em bisnagas de 280 mililitros (R$ 3).
Na merenda -
As instalações da Casa do Mel contam com certificação do Ministério da Agricultura e vistoria da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab). O mel produzido em Miguel Calmon também será incorporado à merenda escolar de colégios, creches e asilos da região.Segundo João Nicolau, um contrato de R$ 20 mil foi firmado com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a compra de 400 quilos de mel que farão parte da merenda escolar não apenas em Miguel Calmon, mas também em cidades como Várzea da Roça, Capim Grosso, Serrolândia e Mairi.
"Com isso, queremos desenvolver um trabalho de educação alimentar junto à comunidade, estimulando o consumo do mel. O ideal é que cada um de nós tenha o hábito de consumir uma colher de mel por dia, pois se trata de um alimento nutritivo e saboroso. Muitas vezes, as pessoas rejeitam o mel e o vêem apenas como um remédio a ser tomado em época de gripe", explicou o técnico.
A matéria-prima do mel são plantas e flores exploradas pelas abelhas, como a candeia, a algaroba e a aroeira – todas elas existentes em boa quantidade em Miguel Calmon. A coloração do mel depende da florada. A aroeira, por exemplo, produz um mel mais escuro.
Aumento da renda
O mel vem aumentando a renda dos agricultores de Miguel Calmon e povoados vizinhos. Proprietário de 20 colméias no povoado de Formosa, o apicultor Adilton Santana Pereira, 34 anos, no ramo desde 2005, acreditou no projeto e pretende ampliar a sua produção. "Minha meta é ter 30 a 40 colméias", disse.
Há ainda casos em que a tradição é de família. Reginaldo Gonçalves dos Santos, 27 anos, orgulha-se de contabilizar oito anos de trabalho com mel, diz entender tudo de abelha e que pretende continuar na atividade. Seu pai, José Pereira dos Santos, 54 anos, trabalha com 10 colméias no povoado de Miragem e afirma que o Projeto Mel Doce Mel funcionou como estímulo para prosseguir no ramo. "As perspectivas são boas. Espero conseguir trabalhar com 20 a 30 colméias", destacou. Em todo o estado, a cultura do mel gera 30 mil empregos diretos e calcula-se que existam cerca de 150 colméias e 5 mil apicultores na Bahia.