Mangaba: Alta rentabilidade atrai produtores

16/07/2007

Mangaba: alta rentabilidade atrai produtores

 

 

 

Na faixa litorânea do Nordeste, diversas culturas agrícolas tradicionais passam por altos e baixos ao longo do tempo. Ora apresentam alto rendimento financeiro, ora sofrem com o desestímulo, motivado por problemas diversos. Dentro deste contexto, o coco, o maracujá e a laranja são exemplos marcantes de produtos que constantemente estão sujeitos às marés do mercado de consumo. Um caso peculiar, porém, é a mangaba. Esta fruta dificilmente conhece períodos de baixa e o seu preço, ao longo dos anos, tem se mantido estável e em um patamar bastante satisfatório. Há anos, o preço com relação ao produtor tem se mantido em torno de R$ 1,00 o quilo, na safra, chegando a R$ 2,00 o quilo, na entressafra. Este preço faz com que a mangabeira se apresente como um dos cultivos mais rentáveis.
Estima-se que é possível obter, em um plantio tecnificado e bem conduzido, um rendimento líquido anual entre R$ 6 mil a R$ 8 mil por hectare, o que é superior ao ganho proporcionado pela maior parte dos cultivos tradicionais. Além do mais, a mangabeira é uma planta muito rústica, vegetando satisfatoriamente em solos pobres e arenosos, condições nas quais outros cultivos proporcionariam baixas produtividades.
Nas indústrias de polpa de Sergipe, verifica-se que a mangaba é a mais vendida dentre os mais de 20 sabores geralmente produzidos, sendo responsável por aproximadamente 25% das vendas. A polpa de mangaba, juntamente com as de cajá e graviola são os carros-chefes, impulsionando a venda dos demais sabores. Para não deixar faltar esse precioso produto na entressafra, há indústrias que possuem câmaras frias exclusivamente para o armazenamento da mangaba. A mesma medida pode ser verificada nas sorveterias e lanchonetes, onde o sorvete e o suco desta fruta são os mais consumidos.
No entanto, apesar deste enorme potencial, a mangabeira é uma espécie bastante ameaçada de desaparecimento, em virtude do desmatamento da vegetação nativa do litoral para a implantação de grandes culturas, como a da cana-de-açúcar e a especulação imobiliária. Uma forma de contornar este problema é a implantação de cultivos comerciais, mas, para isso, é necessário o desenvolvimento de técnicas eficientes.
Nesse sentido, vêm sendo realizados estudos com o objetivo de desenvolver a tecnologia de cultivo da mangabeira, para que seja possível transformá-la em uma cultura agrícola comercial com possibilidade de ser largamente explorada. Embora muita coisa ainda esteja para ser aprendida, atualmente já existem informações suficientes que viabilizam a realização de cultivos razoavelmente tecnificados. Um aspecto altamente positivo de tudo isso, é que os resultados dessas pesquisas têm chegado ao campo, o que transformou Sergipe no pioneiro no cultivo comercial desta espécie.
Atualmente, estima-se que já existem em torno de 300 hectares plantados com mangabeira em Sergipe, o que ajuda a amenizar o risco de extinção e proporciona uma nova possibilidade de trabalho e renda para o produtor rural. Além de Sergipe, os estados da Paraíba e do Rio Grande do Norte já possuem algumas áreas implantadas.
Com relação à dificuldade de comercialização, alegada por alguns produtores, o que se pode dizer é que o mercado existe, e é grande. O problema é que nem sempre os produtores sabem conquistá-lo. Para isso, seria necessário que, especialmente os pequenos, atuassem de forma organizada, em associações ou cooperativas e buscassem a orientação de entidades que estão preparadas para ajudar, como o SEBRAE e as secretarias estaduais e municipais de Agricultura.
Chamamos a atenção para o fato de que, se houvesse problemas de mercado, este fruto não teria um preço constante ao longo do tempo, de R$ 1,00 o quilo para o produtor e em torno de R$ 3,00 o quilo do fruto “in natura” nos supermercados, preço este que geralmente é superior ao da maçã e da uva, importadas de outros estados, consideradas frutas nobres.

 

Raul Dantas Vieira Neto*

 

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* Engenheiro Agrônomo, pesquisador do convênio Departamento de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Deagro) / Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju – SE).


Fonte: TodaFruta