Consumo de vinhos cresce até 35% na Bahia

17/07/2007
Consumo de vinhos cresce até 35% na Bahia
 
Ações de importadoras e eventos especializados buscam atender demanda local
 

Seja no almoço ou no jantar, branco, tinto ou rosé, o vinho está cada vez mais presente na mesa dos brasileiros. Pesquisa realizada pelo International Wine and Spirit Record, de Londres, constatou que até o ano de 2011 os brasileiros estarão bebendo 369 milhões de litros de vinho por ano, um aumento de 12,5% em relação a 2005. Segundo o crítico em vinhos, André Freire, o Brasil já é o segundo maior consumidor da bebida na América Latina, perdendo apenas para a Argentina. “No Brasil bebe-se cerca de 300 milhões de litros por ano, o corresponde a 1,8 litro por pessoa”, afirma Freire. Segundo ele, não existe um motivo para essa alta, mas sim uma série de fatores que, quando relacionados, impulsionam o consumo no país. Além da decadência do mito de que vinho é uma bebida para ser tomada nos dias frios, os benefícios que ele oferece à saúde também vêm alavancando a preferência. “Ele gera saúde e está associado ao bom gosto e à boa mesa”, declara.

De acordo com Freire, que também é diretor técnico da Wine Bahia 2007, evento sobre vinhos e artigos relacionados que acontece até hoje no Tropical Hotel da Bahia, uma pesquisa feita recentemente pelo renomado economista mundial Michael Porter concluiu que o Brasil está entre os cinco países do mundo que têm um grande potencial de crescimento de mercado consumidor de vinho. Entre as três cidades com maior capacidade de aumento de consumo estão Salvador, Recife e Manaus, exatamente nesta ordem. “Nós temos uma demanda reprimida, o que estimula o crescimento”, diz.


Miolo investe R$12 milhões

Na tentativa de acompanhar este crescimento de consumo e suprir a demanda, até 2012 a Miolo Wine Group contempla investimentos da ordem de R$12 milhões na vinícola do grupo, localizada na Fazenda Ouro Verde, no Vale do São Francisco, na Bahia. A produção da vinícola tem sido progressiva: 730 mil litros, em 2004; 1 milhão de litros, em 2005 e 1,5 milhão, em 2006. Para este ano, a expectativa do grupo é de 2,5 milhões de litros. Apesar da ascensão, Freire destaca que 70% dos vinhos consumidos no Brasil são importados, oriundos principalmente do Chile e da Argentina. “Devido aos impostos, os nacionais são caros e as pessoas ainda têm preconceito”, garante ele.

Durante a Wine Bahia, a Miolo lançou dois espumantes inéditos produzidos na Fazenda Ouro Verde: o Terranova Blanc de Blancs Demi Sec, e o Blanc de Blancs Brut, que junto com o Terranova Moscatel consolidam na Bahia a produção mais completa de espumantes do Brasil. Ambos são elaborados com uvas Chenin Blanc, Sauvignon Blanc e Verdejo. “Decidimos fazer esta apresentação aqui na Bahia objetivando prestigiar uma região que tem sido muito importante para a Miolo. Os vinhos feitos no Vale do São Francisco estão sendo muito apreciados no Brasil e em outros países”, afirma o diretor-técnico, Adriano Miolo.
A Fazenda Ouro Verde produz sete vinhos da linha Terranova: o branco Dry Muscat, os tintos Shiraz e Linha Reserve Cabernet Sauvignon/Shiraz, o vinho de sobremesa Late Harvest, o espumante Moscatel e os dois lançamentos Brut e Demi Sec.

Adquirida em 2000 a partir de uma parceria entre as Vinícolas Lovara e Miolo, a Fazenda possui 700 hectares, dos quais 200 hectares cultivados com vinhedos. Hoje, os vinhos da Bahia respondem por cerca 10% das vendas externas da empresa. Os carros-chefes são o Shiraz, enviado para os Estados Unidos, e o Late Harvest, bastante consumido na República Checa. No ano passado, a Miolo Wine Group anunciou parceria com a Osborne, uma das mais importantes produtoras de bebidas da Espanha, para produção do Brandy  Osborne na fazenda baiana, o único produzido 100% com uvas viníferas.

A Fazenda Ouro Verde integra a Miolo Wine Group que é referência de qualidade no mercado brasileiro de vinhos. A empresa reúne uma linha de mais de 70 produtos elaborados a partir de parcerias nacionais e internacionais. Nos últimos oito anos, investiu R$90 milhões em inovação, tecnologia e novas áreas vitícolas. Além da Bahia, o grupo possui mais seis projetos: Miolo Vinhedos e Vinhos Finos (Vale dos Vinhedos, RS), Fortaleza do Seival Vineyards (Campanha, RS), Lovara Vinhos Finos (Serra Gaúcha, RS), RAR (Campos de Cima da Serra, RS), Viasul (Chile) e Osborne (Espanha e Portugal).

Temperatura eleva vendas

Com o objetivo de continuar atraindo os baianos a consumirem cada vez mais a bebida milenar, empresários locais estão apostando na importação de vinhos na tentativa de baratear o custo e aumentar as vendas. A Perini, que possui em cada uma de suas quatro lojas uma adega com mais de 1,8 mil rótulos, é uma das poucas em Salvador que adotam estas estratégias. De acordo com o proprietário da delicatessen, Jose Faro, mais conhecido como Pepe, a importação, além de baratear, garante ao cliente a qualidade do produto, pois são transportados nas melhores condições de armazenamento, principalmente de temperatura.

Segundo Pepe, a idéia de se criar a adega foi para complementar a atividade das lojas, mas hoje as vendas do produto já representam 13% do faturamento total do grupo. “Temos vinhos de todos os tipos, desde os de hábitos diários, com os preços mais acessíveis, até os com os valores agregados, os de gran reseva”, afirma. Para ele, esta época do ano é a época que os baianos mais consomem a bebida por causa do frio, cerca de 35% a mais que nos meses mais quentes. “Até agora tivemos um acréscimo de 25% nas vendas comparado com o mesmo período do ano passado”, conclui.

Outra alternativa criada para alavancar o consumo de vinho na capital baiana foi o Festival Vinho e Saúde, desenvolvido pela importadora local A Adega. A iniciativa, que foi lançada desde abril e continua até agosto, tem como objetivo divulgar melhor o vinho em 53 restaurantes da cidade. A sommelière e consultora da loja, Camila Farias, elaborou uma carta de vinhos explicativa com 25 rótulos para facilitar a escolha do cliente.

“Além de mostrar os benefícios da bebida, conseguimos mostrar aos apreciadores que tomar vinho em restaurantes não é caro”, afirma, explicando que a loja fez um acordo com os estabelecimentos para que acresçam no máximo 30% em cima do valor vendido na loja.

GRACIELA ALVAREZ