Subsídio ao campo é o maior em 20 anos
Gastos na safra 2006/07 somaram R$ 2,16 bilhões e incluíram produtos para exportação. A agricultura brasileira recebeu do governo, na safra 2006/2007, o maior valor para comercializar a produção desde 1985, quando não havia limite orçamentário para isso e o governo chegou a apoiar 50% da produção nacional. Foram R$ 2,16 bilhões, volume que, no entanto, não fere regras da Organização Mundial de Comércio.
Cerca de metade, R$ 1,090 bilhão, foi destinada a produtos exportáveis. Segundo o diretor do Departamento de Comercialização e Abastecimento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, José Maria dos Anjos, além dos problemas logísticos, o recuo do dólar frente à moeda nacional agravou a necessidade de apoio.
O algodão foi a cultura que mais demandou recursos: R$ 544,8 milhões para apoiar 729 mil toneladas de pluma, 50% da produção nacional. Para analistas, o subsídio garantirá a exportação, contratada quando o câmbio superava R$ 2.
"A tendência é que o governo tenha de investir mais para compensar o câmbio", diz Fábio Silveira, da RC Consultores. Para a safra 2007/2008 ainda não há definição dos valores de apoio governamental. Mas há algo praticamente certo: o clima não será tão favorável. Meteorologistas prevêem a incidência do fenômeno La Niña, que reduz as chuvas no Sul do País. "Se a área (plantada) for repetida, a safra não se repete", diz André Madeira, da ClimaTempo. Na safra 2006/07, a colheita somou 130,5 milhões de toneladas.
FABIANA BATISTA E NEILA BALDI