China proíbe importação de carnes de sete empresas dos Estados Unidos
Medida é resposta à decisão americana de banir compra de produtos chineses
PEQUIM. Numa clara resposta à decisão do governo dos EUA de banir produtos alimentícios e rações para animais exportados pela China e considerados pouco seguros para a saúde do consumidor, o governo chinês anunciou que interrompeu as importações de carnes de porco e frango de sete empresas americanas, no que já está sendo visto pelos analistas como o início de uma provável guerra comercial entre americanos e chineses.
Segundo o governo chinês, em nota divulgada no site da Administração Geral de Supervisão de Qualidade, Inspeção e Quarentena (espécie de Vigilância Sanitária do país), os produtos — partes de animais muito apreciados pelos chineses, como pés de galinha ou orelhas de porco — foram banidos porque também foram considerados uma ameaça à saúde, por conterem salmonela, aditivos químicos e drogas veterinárias.
A segunda maior processadora de carne do mundo, a americana Tysson Foods, foi a maior atingida pelo bloqueio, que inclui ainda as empresas Cargill Meat Solutions, Sanderson Farms, Intervision Foods, AJC International, Van Luin Foods USA e Triumph Foods.
No site da agência de quarentena, o governo chinês afirma que, todos os anos, encontra componentes “inaceitáveis” em produtos americanos e, nem por isso, encerra totalmente as importações dos EUA. Eles dão como exemplo um carregamento de composto alimentar em pó com proteína da empresa americana Jarrow Formulas que, no domingo, não passou nos testes de qualidade do governo chinês por conter selênio em sua fórmula. O carregamento foi devolvido para os EUA, mas as importações de proteína em pó não foram interrompidas.
“O efeito perverso desse banimento é aumentar o risco de uma nova frente de guerra comercial com Washington, além de obrigar os chineses a ter que conviver por mais tempo com a alta de preços do porco no mercado interno”, afirmou o analista de comércio da Federação dos Exportadores de carne dos EUA, Thad Lively, à agência de notícias Reuters.
GILBERTO SCOFIELD JR.