Encontro discute questão do amianto

18/07/2007

Encontro discute questão do amianto

Fibra mineral se constitui em grave problema sanitário e ambiental para a saúde do trabalhador

Estima-se que, nos próximos 30 anos, morrerão na Europa cerca de 500 mil pessoas por causa de doenças provocadas pela exposição ao amianto, considerado uma das maiores catástrofes sanitárias do século 20, segundo especialistas.

Com a finalidade de discutir a situação do produto no Brasil, o Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador (Cesat), realizou a oficina Políticas e Diretrizes Relacionadas à Informação /Formação/Comunicação sobre Amianto – Saúde, Trabalho, Consumo e Ambiente.

Hoje, representantes do Cesat, Fiocruz, Associação Brasileira de Expostos ao Amianto e Secretaria do Meio Ambiente do Rio de Janeiro realizam ato público na Assembléia Legislativa da Bahia, chamando a atenção para os riscos da exposição ao amianto/asbesto, fibra mineral largamente utilizada na indústria.

No Brasil, não se conhece exatamente o número de pessoas contaminadas pelo amianto. Em estudo americano e canadense, realizado com 18 mil trabalhadores expostos, houve o registro de 400 casos de câncer de pulmão, 457 de mesotelioma de pleura e peritôneo e 106 de asbestose.

De acordo com a Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto (Abrea), o amianto se constitui em grave problema de saúde pública, já que atinge trabalhadores direta ou indiretamente expostos, seus familiares, moradores do entorno das fábricas e minas.

Também é um problema ambiental, já que por suas características tecnológicas é impossível sua destruição – o material permanece disperso no ar, contaminando ambientes internos e externos.

O Brasil é um dos maiores produtores, consumidores e exportadores de amianto do mundo. O produto, conhecido e utilizado desde a antiguidade, além da asbestose, pode provocar câncer de pulmão, mesotelioma de pleura e peritôneo e outros tipos de neoplasia. Em todo o mundo, 48 países já baniram o seu uso.

Proibido em sete estados

No Brasil, sete estados proibiram o produto – Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Pernambuco, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Pará. Em São Paulo e Mato Grosso do Sul, as leis foram revogadas pelo Supremo Tribunal Federal, por considerar que houve invasão da competência da União, enquanto no Mato Grosso e Pará, as leis aprovadas pela Assembléia Legislativa ainda não foram sancionadas