Lucratividade do café conillon ultrapassa à do tipo arábica

19/07/2007

Lucratividade do café conillon ultrapassa à do tipo arábica

Pela primeira vez, o produtor do café menos valorizado do mundo tem rentabilidade maior. O café robusta (ou conillon) está garantindo uma rentabilidade melhor que o arábica, produto tradicionalmente mais valorizado no mundo. A margem de lucratividade média do café robusta é quatro vezes maior que a do arábica. Apesar do preço menor, o custo de produção também é menor.


Segundo o analista da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Jorge Queiroz, isso decorre de um conjunto de fatores: preços do robusta em alta - enquanto os do arábica estão em queda, custo de produção reduzidos, baixa oferta mundial e crescimento da demanda pelo robusta. Pelos seus cálculos, a margem de lucro do conillon está em 43%. Ele considera o atual custo de produção de R$ 139,79 a saca (60 quilos) e o valor pago ao produtor de R$ 200 a saca em São Gabriel da Palha (ES), referência de preço para o estado, maior produtor nacional do robusta.


Já a margem de lucratividade do café arábica é de 7,8% nos principais municípios produtores de café de Minas Gerais, como Guaxupé. Neste caso, Queiroz leva em conta o custo de produção a R$ 218 a saca e o preço pago ao cafeicultor de R$ 235 a saca - bebida dura tipo 6.


Queiroz diz que o incremento do consumo da bebida é influenciado, sobretudo, pelo comportamento de muitos países da Ásia, como a China, e do Leste Europeu, que estão adotando o hábito de beber café, especialmente o solúvel, cuja composição demanda mais conillon. "Essa é uma tendência momentânea; pode ser que ela se estabilize ou pare de crescer.


A forte diferença nos custos de produção entre esses dois tipos de café, segundo o presidente da Associação dos Produtores de Café da Bahia (Assocafé), João Lopes Araújo, se deve às características das lavouras do robusta, mais resistentes às intempéries climáticas e menos dependentes do uso de defensivos agrícolas. "Se investe menos no café conillon e com isso a rentabilidade é melhor", disse Araújo.


Além disso, Araújo acrescenta que as cotações da commodity tiveram um comportamento positivo no semestre no mercado externo, em detrimento do café arábica. Esse fator levou o robusta nacional a alcançar a menor diferença de preço da história em relação ao arábica. "No passado o café robusta valia 50% a 60% do preço do arábica e hoje é 88%", enfatiza.


Segundo Araújo, a margem de lucratividade do café robusta na Bahia, o terceiro maior produtor nacional, é 10% maior que a do arábica. A produtividade média dos cafezais da região varia de 23 a 24 sacas por hectare. Para Queiroz, os preços do café no mercado mundial estão remuneradores, mas a forte deprecação do dólar ante o real é um grande problema para os cafeicultores nacionais.


No ano, os preços do robusta na Bolsa de Londres (Life) acumulam alta de 15,29%. Já o café arábica na Bolsa de Nova York (Nybot) acumulam queda de 7,91%. Mesmo que o cenário externo seja altista para o robusta, no mercado interno os preços acumulam queda de 6,1% no ano. Segundo o técnico da Conab, a saca que foi negociada a R$ 213,28 em janeiro em média, está sendo cotada a R$ 195 a R$ 200. Já o arábica registram queda de 16,3%, saindo de uma média de R$ 218,63 em janeiro para os atuais R$ 235 a saca.

VIVIANE MONTEIRO