OMC apresenta mova proposta para salvar Doha

19/07/2007

OMC apresenta mova proposta para salvar Doha

Mediadores querem que EUA e Europa reduzam seus subsídios agrícolas em mais de 70%


GENEBRA e NOVA DÉLHI. Os Estados Unidos devem reduzir seus subsídios agrícolas de até US$19 bilhões para US$16,4 bilhões anuais, e os países em desenvolvimento precisam diminuir suas tarifas sobre produtos industrializados para menos de 23%. Essas são as propostas de um documento apresentado ontem na Organização Mundial do Comércio (OMC), numa tentativa de salvar a Rodada de Doha, que visa à liberalização comercial.

O texto, elaborado por mediadores da OMC, pede que os EUA rebaixem seus subsídios agrícolas entre 66% e 73%. Assim, os agricultores americanos embolsariam, por ano, entre US$13 bilhões e US$16,4 bilhões. O governo americano havia proposto à OMC um teto de US$17 bilhões.

— Alguns desses limites serão bem dolorosos, evidentemente. Mas a dor será necessária para que se chegue a um acordo — disse Crawford Falconer, embaixador da Nova Zelândia na OMC e chefe das conversas agrícolas.

Já a União Européia (UE) precisa reduzir a ajuda a seus agricultores entre 75% e 85%, ou seja, para entre US$16 bilhões e US$27 bilhões. Quanto às tarifas sobre produtos agrícolas, a UE terá de reduzi-las em torno de 53%, um nível que o comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, já disse estar disposto a aceitar.

Emergentes cortariam tarifas industriais a entre 19% e 23%

Em troca de concessões na área agrícola, os países em desenvolvimento teriam de abrir mais seus mercados aos produtos industrializados oriundos das nações ricas. O documento da OMC sugere diminuir as tarifas alfandegárias impostas por 27 países emergentes, para uma margem entre 19% e 23%.

Essa cifra é superior à proposta por Brasil e Índia, os principais líderes dos países emergentes. Durante as negociações de Potsdam, no mês passado, ambos se negaram a reduzi-las a menos de 30%. A reunião terminou em fracasso.

Um pouco antes de a OMC divulgar a proposta dos mediadores, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, manifestou sua esperança de alcançar um acordo na Rodada de Doha.

— A Rodada de Doha não está morta, tenho esperança de que se consiga um acordo — afirmou Amorim a jornalistas em Nova Délhi, onde está para se reunir com os chanceleres de Índia e África do Sul.

O Itamaraty informou ontem que o Brasil ainda está analisando a proposta — mesma postura de Índia e EUA.

— O Brasil está estudando de perto o texto e detalhará sua posição nos próximos dias, mais provavelmente nos encontros da próxima semana em Genebra — disse um porta-voz do Itamaraty. — O Brasil continuará a trabalhar em busca de uma solução para a Rodada de Doha.