Produtores e governo se unem para reestruturar pecuária

19/07/2007

Produtores e governo se unem para reestruturar pecuária

Produtores e governo do Estado resolveram se unir para reestruturar a cadeia produtiva da pecuária baiana, que está abatida por conta de inúmeros problemas, a exemplo do sucateamento dos frigoríficos e falta de mercado para os pequenos produtores.


Em reunião na terça-feira, na Secretaria da Fazenda, ficou definida a formação de uma comissão para elaborar um estudo que aponte soluções necessárias a que a Bahia retome seu lugar de destaque no setor. O Estado ocupa hoje o sexto lugar em rebanho do País, com cerca de 12 milhões de cabeças de gado.

Território livre da febre aftosa há oito anos, a Bahia ainda não conseguiu colher os resultados desta qualificação. Segundo o presidente do Fórum Permanente de Pecuária de Corte do Estado, Wilson Cardoso, as exportações de carne do Estado estão quase paradas. Ocorre que, internamente, os produtores têm que competir com a carne vinda de fora.

DECRETO – A situação piorou ainda mais com o decreto do governo estadual, de número 10.346, de 21 de maio deste ano. Em seu artigo quarto, o decreto prevê a concessão de desconto de 41,66% no ICMS da carne vinda de outros Estados.

“A arroba do boi despencou, porque começou a haver mais oferta do que procura”, relataWilson Cardoso. Segundo ele, a arroba, que ficava em cerca de R$ 56, no patamar de Estados como Minas Gerais, São Paulo e Goiás, chegou a atingir R$ 40 em Itapetinga, uma das principais regiões produtoras do Estado.

“Existem dois problemas básicos: esta redução de valor não chega ao consumidor e também o prejuízo aos pequenos produtores, que respondem por cerca de 80% da produção do estado”, afirmou. É considerado pequeno produtor aquele que possui entre uma e mil cabeças de gado.

MEDIDAS– Wilson Cardoso explica que somente a revogação do decreto pelo governo não resolveria a situação da pecuária baiana. “Precisamos de um plano macro, que envolva todos os níveis da cadeia produtiva“, afirma. Uma das medidas consideradas importantes é intensificar a fiscalização nas fronteiras do Estado, evitando a entrada de carne clandestina ou contaminada, e a evasão fiscal.

“Temos plena consciência de que neste processo todo os produtores fizeram sua parte“, garante Cardoso. Entre outras coisas, se refere aos melhoramentos genéticos aplicados nos rebanhos e ao cumprimento do calendário de vacinação contra a aftosa, segundo a Agência de Defesa Agropecuária (Adab), 96% do gado baiano foi imunizado na última campanha, no mês de março.

A comissão que está sendo formada terá representantes da Federação da Agricultura do Estado da Bahia (Faeb) e das secretarias da Fazenda, da Indústria e Comércio e da Agricultura.

LUCIANA AMORIM