São Desidério mostra o valor da safra baiana
Impulsionado pelo plantio de algodão, São Desidério, no oeste da Bahia, foi o município brasileiro que registrou o maior valor da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2006, conforme levantamento divulgado ontem (dia 19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com os novos números, a produção total da cidade baiana ocupou 428,3 mil hectares, alcançou 1,038 milhão de toneladas, 17,6% menos que em 2005, e rendeu R$ 659,3 milhões - R$ 374,2 milhões só com o algodão -, um montante 16,8% mais magro.
A queda nesta última comparação não foi um "privilégio" de São Desidério e decorreu da crise de renda dos produtores de grãos no ano passado - causada, de maneira geral, por insumos em alta e dólar e preços das commodities em baixa. Dos 50 principais municípios de grãos do Brasil, só 11 tiveram alta no valor da produção.
O próprio montante nacional caiu 15%, para R$ 40,962 bilhões, levando-se em conta os 15 produtos selecionados pelo IBGE (algodões arbóreo e herbáceo, amendoim, arroz, aveia, centeio, cevada, feijão, girassol, mamona, milho, soja, sorgo granífero, trigo e triticale). Este universo resultou em 117,3 milhões de toneladas, 2,8% mais que em 2005.
Ao passar para o topo do ranking do valor da produção agrícola do IBGE, São Desidério deixou para trás tradicionais outros líderes tradicionais do ranking do instituto, como os município mato-grossenses Sapezal, Sorriso, Campo Verde, Campo Novo do Parecis e Nova Mutum - que, contudo, preservaram sua importância na lista apesar da crise de renda na produção de grãos.
Todos eles também aparecem depois da cidade baiana entre os maiores produtores de algodão do país (exceto Sorriso), mas têm na soja sua principal aposta agrícola. Em geral, conforme o IBGE, o Mato Grosso concentrou 29,7% da colheita brasileira de soja no ano passado, que atingiu 52,5 milhões de toneladas e foi 2,5% superior à do ano anterior.
Sorriso liderou a produção agrícola municipal por volume (2,2 milhões de toneladas no total), mas o foco centrado na soja (1,8 milhões de toneladas), mais prejudicada pela crise de renda, terminou por tirá-lo do topo da lista dos maiores em valor.
Em virtude da recuperação do Paraná, que em 2005 enfrentou problemas climáticos que afetaram a safra agrícola, o Mato Grosso voltou ao segundo lugar entre os maiores Estados produtores de grãos do país em 2006, e a soja representou 70% da colheita local.
No caso do milho, o segundo grão mais produzido no país, a liderança municipal no ano passado ficou com Lucas do Rio Verde (MT), seguido por Jataí (GO) e, de novo, Sorriso. No total, a safra brasileira de milho alcançou 42,7 milhões de toneladas em 2006, 21,5% mais que no ano anterior.
No arroz, a gaúcha Uruguaiana liderou a produção municipal - o ranking dos Estados seguiu puxado pelo Rio Grande do Sul; no feijão, o topo ficou com Unaí (MG); no caso do trigo, finalmente, Muitos Capões (RS) liderou.
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