O Que a Imprensa Diz do Cacau
A SALVAÇÃO DA LAVOURA
O que é mais importante para controlar uma doença da lavoura. A ciência ou a prática do produtor? Você vai ver agora como pode render um bom casamento entre as duas.
A equipe do Globo Rural visitou uma região da Bahia onde a produção de cacau foi derrubada por causa de uma doença chamada vassoura de bruxa. Lá, conhecemos um produtor que teve sucesso na recuperação da lavoura e, com seus métodos acabou, sem querer, ajudando a ciência.
O cacau já deu boa vida a muita gente. O livro Gabriela Cravo e Canela, publicado em 1958, é uma das obras de Jorge Amado que mostra o universo do cacau: coronéis, jagunços e prostitutas na década de 20.
Como numa premonição, as beatas praguejam contra os atentados aos bons costumes da época. "Ilhéus está ficando uma terra de perdição. Um dia Deus castiga, manda uma praga, mata tudo que é pé de cacau."
A praga rogada pegou. Chegou na forma de uma doença de nome meio sinistro: vassoura de bruxa. A causa é um cogumelo cor-de-rosa, que aparece em imagem ampliada: o fungo moniliophthora perniciosa. Suas sementinhas ou esporos penetram na planta provocando o estrago.
O primeiro foco da doença foi registrado no sul da Bahia em 1989 quando a região produzia cerca de 360 mil toneladas de cacau por ano. Dava para abastecer todo o mercado interno e ainda exportar.
Hoje a produção fica em torno de 120 mil toneladas e 60% da matéria-prima usada pela indústria nacional tem que ser importada da África e da Ásia.
Região de Piraí do Norte, Bahia. Há oito anos, o produtor de cacau Edvaldo via sua lavoura ser infectada pela vassoura.
“Eu cheguei a produzir 19.300 arrobas. No ano seguinte eu produzi nove mil arrobas. Então, foram dez mil que eu perdi num único ano. Eu senti que a miséria bateu na porta da minha família”, lamenta Edvaldo.
Instituto de Genômica da Unicamp, em Campinas, São Paulo. Há sete anos, o cientista Gonçalo Guimarães começava a pesquisar os genes da vassoura de bruxa.